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Filosofia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Filosofia

Algo que me deixava irritado era a improdutiva polêmica se cinema é arte ou não: já não me irrito, porque percebi que os que dizem não, o fazem apenas por esporte. O esporte de irritar os outros. Todo filme em potencial faz pensar. Do mais bobo ao mais hermético. E o mais bobo pode ser muito mais filosófico do que o hermético. Entretanto, quando a função é exclusivamente entreter, ainda que faça pensar (acidentalmente), será mais pobre. Então, se a função é de saída pensar, a chance de ser mais rico é maior. (Paranhos, 2003.In: Revista Filosofia, Ciência & Vida. Nº 4. Editora Escala Educacional, p. 56.) Em pouco tempo o cinema se tornou uma indústria; e hoje não podemos falar sobre ela sem mencionarmos a indústria cultural. Nos deparamos, às vezes, com uma banalização generalizada e com uma crescente padronização dos produtos culturais, que cada vez mais se apresentam simplificados. Na lógica da indústria cultural:

Gabarito: C

A questão gira em torno da ideia de indústria cultural, muito associada aos pensadores da Escola de Frankfurt, como Adorno e Horkheimer. A noção central é simples: quando a produção cultural entra na lógica industrial, ela tende a ser padronizada, orientada pelo lucro e voltada mais para o consumo rápido do que para a reflexão crítica. Em vez de surpreender, questionar e romper rotinas, muitas obras passam a repetir fórmulas que agradam facilmente ao público. No cinema isso aparece com clareza: ele pode ser arte, pode ser entretenimento, e muitas vezes reúne as duas coisas. Mas, na lógica da indústria cultural, o valor da obra acaba sendo medido também pelo mercado, pela capacidade de vender ingressos, agradar massas e reproduzir modelos bem-sucedidos. Por isso, o cinema é visto como uma expressão que reúne várias artes, mas que também se insere na dinâmica capitalista de produção e lucro. É exatamente esse o ponto da alternativa C: ela reconhece o cinema como uma união de outras artes e destaca o lucro como objetivo importante, o que combina com a lógica da sociedade capitalista e da indústria cultural. As demais alternativas escorregam ao exagerar, ao negar o vínculo com o capitalismo ou ao usar termos que confundem a função crítica da arte com alienação automática. Então, se a banca fala em banalização, padronização e indústria cultural, pense em obra cultural transformada em produto. É o famoso problema da cultura que, em vez de desafiar, às vezes vira receita de bolo com trilha sonora.

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