Em uma conversa sobre felicidade, Maria proferiu o seguinte argumento: “A população da cidade onde nasci é feliz, porque fiz uma pesquisa com meus conhecidos que moram lá e todos, sem exceção, disseram que são muito felizes.” Nessa situação, a falácia que se identifica no argumento proferido por Maria é conhecida como
- A)ladeira escorregadia.
Errada, porque ladeira escorregadia envolve dizer que um fato levará inevitavelmente a uma sequência de consequências graves, o que não aparece no enunciado.
- B)petição de princípio.
Errada, porque petição de princípio ocorre quando a conclusão já está embutida na própria premissa, e aqui Maria não está repetindo a tese, mas generalizando dados insuficientes.
- C)apelo à ignorância.
Errada, porque apelo à ignorância é concluir algo com base na falta de prova em sentido contrário, e Maria não usa ausência de prova, mas sim uma amostra fraca.
- D)falsa causa.
Errada, porque falsa causa exige atribuir relação de causa e efeito sem base, e no caso não há nexo causal, mas uma conclusão geral indevida.
- E)generalização apressada.
Certa, porque Maria conclui algo sobre toda a população a partir de poucos conhecidos, cometendo uma generalização apressada.
Gabarito: E
A questão trabalha com falácias informais, isto é, erros de raciocínio que parecem convincentes, mas não sustentam bem a conclusão. Aqui, Maria pegou um grupo pequeno e conveniente de pessoas, os seus conhecidos, e transformou isso em uma afirmação sobre toda a população da cidade. Isso é um salto lógico bem típico de concurso: você observa um recorte limitado e conclui algo amplo demais. O nome dessa falácia é generalização apressada. Ela acontece quando a pessoa tira uma conclusão geral com base em uma amostra insuficiente, enviesada ou pouco representativa. Em outras palavras: ouvir meia dúzia de amigos e concluir o sentimento de uma cidade inteira é como medir a temperatura da praia encostando a mão na areia e achar que já sabe o clima do país. Por isso o gabarito é a letra E. O argumento não mostra que a população da cidade é feliz, apenas que alguns conhecidos de Maria disseram ser felizes. Faltou amostra adequada, diversidade de pessoas e critério metodológico minimamente confiável. Em lógica e argumentação, a conclusão foi maior do que as premissas permitem. As demais alternativas trazem falácias diferentes: não há encadeamento de consequências negativas, nem circularidade, nem prova baseada em ignorância, nem relação de causa e efeito. O problema central é estatístico e argumentativo: poucos casos particulares viraram regra geral.