Ao analisar a moral de civilização ocidental, Nietzsche identifica dois tipos de homem: o fraco e o forte. Nesse sentido, o homem
- A)formado na moral cristã nega os valores terrenos em função de uma crença metafísica, por isso deve ser considerado forte.
Errada, porque Nietzsche não considera forte o homem que nega os valores terrenos em favor de uma crença metafísica; isso é justamente sinal de negação da vida.
- B)adestrado, educado e criado em uma perspectiva escravo-sacerdotal tende a ser mais forte que aquele criado fora desses padrões morais.
Errada, porque a formação escravo-sacerdotal produz submissão e ressentimento, não maior força.
- C)fraco é obediente porque foi criado com os valores dos nobres e aristocratas, por isso é mais sadio e cheio de vitalidade.
Errada, porque o homem fraco não é aquele educado pelos valores nobres e aristocráticos, mas o que se vincula à moral reativa e ao rebanho.
- D)bom é o homem forte, ao passo que o homem mau é o homem fraco.
Errada, porque Nietzsche não identifica “bom” com homem forte no sentido moral tradicional; ele mostra que a moral dominante costuma inverter essa relação.
- E)forte é mais potente, ativo e violento; por outro lado, é considerado um perigo aos bons costumes e, dessa maneira, é encarado como “mau”.
Certa, porque o homem forte é afirmativo, ativo e intenso, mas a moral dos bons costumes o enxerga como mau por ameaçar a ordem estabelecida.
Gabarito: E
Nietzsche critica a moral ocidental porque ela, segundo ele, inverte os valores da vida. Em vez de afirmar a força, a criação e a potência, essa moral tende a premiar a obediência, a culpa e a negação dos instintos. É daí que ele separa, de modo bem conhecido, dois tipos humanos: o forte, ligado à afirmação da vida, e o fraco, ligado à submissão e ao ressentimento. Na leitura nietzschiana, o homem forte não é o “bonzinho” do senso comum. Ele é mais ativo, mais afirmativo, mais intenso, e não pede licença para viver. Já o homem fraco costuma ser moldado por valores reativos, isto é, por uma moral que nasce da negação do mundo concreto em favor de uma promessa metafísica, religiosa ou moralizante. Por isso, a alternativa E está correta: o homem forte aparece como mais potente, ativo e violento no sentido de força de afirmação e imposição de vontade, mas justamente por isso é visto pela moral tradicional como perigoso e “mau”. Em Nietzsche, o juízo moral convencional não mede a vida pela força, mas pela docilidade, o que inverte a avaliação dos tipos humanos. Esse tema é muito associado à crítica nietzschiana à moral cristã e à moral de rebanho, especialmente em obras como A genealogia da moral. A ideia central é que aquilo que a moral comum chama de “bom” muitas vezes corresponde ao homem domesticado, enquanto o tipo mais forte é taxado de mau porque rompe com a obediência e com os costumes dominantes.