Segundo Aristóteles, elementos positivos como a riqueza e a saúde não possuem nenhum valor, se a alma do indivíduo em questão não for boa. Quando trata da busca da felicidade, Aristóteles se refere à alma do tipo
- A)vegetativa.
Errada, porque a alma vegetativa se relaciona às funções de nutrição e crescimento, não à felicidade humana em sentido filosófico.
- B)intelectiva.
Certa, porque Aristóteles liga a felicidade à atividade racional da alma, isto é, à parte intelectiva, em conformidade com a virtude.
- C)honrosa.
Errada, porque "honrosa" não é uma classificação aristotélica das partes da alma e remete mais a prestígio social do que à definição de felicidade.
- D)sensitiva.
Errada, porque a alma sensitiva está ligada às percepções e aos sentidos, mas não é a base da felicidade em Aristóteles.
- E)concupiscível.
Errada, porque a parte concupiscível se relaciona aos desejos e apetites, não ao princípio racional que fundamenta a eudaimonia.
Gabarito: B
Para Aristóteles, a felicidade não é um prêmio externo que cai do céu, nem algo que dependa só de dinheiro, fama ou saúde. Esses bens ajudam, claro, mas eles não bastam se a pessoa não tiver uma alma virtuosa, isto é, orientada pela razão e pela vida moral. Em outras palavras: o exterior pode colaborar, mas o comando principal vem de dentro. Na ética aristotélica, a felicidade (eudaimonia) é a atividade da alma segundo a virtude. E, como o ser humano se distingue por sua racionalidade, a parte mais importante da alma para essa finalidade é a intelectiva, ligada ao pensamento, à prudência e ao exercício das virtudes intelectuais. É por isso que o gabarito é a letra B. A ideia central aqui é bem clássica: viver bem não é só sentir prazer, é agir bem. A alma intelectiva é a que permite escolher o meio-termo, deliberar com sabedoria e conduzir a vida de forma excelente. Sem isso, riqueza e saúde podem até existir, mas ficam meio sem direção, como carro novo sem motorista. Esse é um ponto muito cobrado em Filosofia: em Aristóteles, felicidade depende da realização da função própria do ser humano, que é a atividade racional conforme a virtude.