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Filosofia · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Filosofia

Muitos imaginaram repúblicas e principados que jamais foram vistos e que nem se soube se existiram na verdade, porque há tamanha distância entre como se vive e como se deveria viver que aquele que abandona o que se faz por aquilo que se deveria fazer aprende antes a arruinar-se que a preservar-se. Eis por que é necessário a um príncipe que quiser manter-se, aprender a poder não ser bom e a valer-se ou não disso segundo a necessidade. Nicolau Maquiavel. O Príncipe. Ed. Martins Fontes (com adaptações). Considerando-se o texto precedente, é correto afirmar que Maquiavel recomenda ao príncipe, isto é, ao governante, que este

Gabarito: C

Maquiavel rompe com a tradição política idealista, aquela que fica desenhando governos perfeitos no papel, mas que não existem na vida real. Em O Príncipe, ele olha para a política como ela funciona de fato: disputa de poder, interesse, conflito e necessidade. Por isso, seu foco não é perguntar como o governante deveria ser segundo a moral, e sim como ele precisa agir para manter o Estado e conservar o poder. A ideia central do trecho é bem famosa: o príncipe deve aprender a não ser bom quando a situação exigir. Isso não significa defender a maldade por prazer, mas reconhecer que, na política, a sobrevivência do governo às vezes depende de decisões duras, prudentes e até moralmente desconfortáveis. Em Maquiavel, a eficácia política pesa mais do que a moral cristã tradicional. Assim, o gabarito C está correto porque traduz exatamente essa lógica realista: o governante deve conduzir suas ações com base no que as coisas são, e não no que deveriam ser, fazendo o necessário para preservar o poder e a ordem. É a política do mundo concreto, não do reino da perfeição imaginária. Se quiser guardar uma frase-chave: Maquiavel troca o ideal pelo real. Ele não escreve um manual de virtudes, mas um manual de sobrevivência política.

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