No Discurso do Método e nos Princípios de Filosofia, Descartes elabora o célebre argumento do cogito, cuja proposição fundamental é “Penso, logo existo”. Para que tal formulação fosse um silogismo, seria preciso acrescentar
- A)uma premissa maior, a saber: “todo aquele que pensa, existe”
Correta, porque acrescenta a premissa maior que permite montar o silogismo: todo aquele que pensa, existe.
- B)uma premissa menor, a saber: “todo aquele que existe, pensa”.
Errada, porque isso inverteria a relação e criaria uma generalização indevida, já que nem todo existente pensa.
- C)uma premissa menor, a saber: “todo aquele que pensa, existe”.
Errada, porque repete a conclusão em vez de completar a estrutura do silogismo com uma premissa.
- D)uma conclusão, a saber: “todo aquele que pensa, existe”
Errada, porque a conclusão já é o próprio "penso, logo existo" e não algo a ser acrescentado.
- E)uma premissa maior, a saber: “todo aquele que existe, pensa”.
Errada, porque transforma uma consequência lógica em premissa e ainda afirma, de forma incorreta, que todo existente pensa.
Gabarito: A
Descartes usa o "cogito" como uma verdade imediata: se eu penso, então eu existo. A força da frase não está em um raciocínio complicado, mas na certeza da própria consciência. É quase como se a dúvida, em vez de derrubar tudo, acabasse provando que alguém está ali duvidando. Agora, para transformar "Penso, logo existo" em um silogismo clássico, você precisa completar a estrutura com uma premissa maior e uma premissa menor. A forma ficaria assim: "Todo aquele que pensa, existe; eu penso; logo, eu existo". Repare que isso encaixa a frase de Descartes no molde lógico tradicional. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela traz justamente a premissa maior adequada: "todo aquele que pensa, existe". Sem essa base geral, a conclusão cartesiana fica como uma intuição filosófica poderosa, mas não como um silogismo formal completo. Em concursos, a CESPE/CEBRASPE gosta de cobrar essa diferença entre a formulação filosófica e a forma lógica. Ou seja: a ideia central do cogito é existencial e epistemológica, mas a questão pede a engrenagem do silogismo.