O lazer é uma criação da civilização industrial e apareceu como fenômeno de massa como características específicas que nunca existiram antes do século XX, quando a nova expressão histórica do lazer surgiu como contraponto explícito ao período de trabalho. Maria Lúcia de Aranha. Filosofia: introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009, p. 76 (com adaptações). A partir das informações do texto apresentado, é correto afirmar que a diminuição da jornada de trabalho criou o tempo liberado, que difere do tempo
- A)trabalhado.
Errada, porque "trabalhado" retoma o próprio tempo de serviço, e o enunciado pede justamente o tempo que se diferencia dele.
- B)livre.
Certa, porque o tempo liberado pela redução da jornada é o tempo separado das obrigações de trabalho, associado ao lazer.
- C)laboral.
Errada, porque "laboral" é praticamente sinônimo de ligado ao trabalho, não de tempo liberado dele.
- D)cativo.
Errada, porque "cativo" sugere tempo preso, submetido, o oposto da ideia de liberação trazida pelo enunciado.
- E)vazio.
Errada, porque "vazio" remete a ausência de ocupação, mas o texto fala em tempo liberado em contraste com o trabalho, não em vazio existencial.
Gabarito: B
O texto trabalha a ideia de que o lazer, como fenômeno de massa, ganhou forma principalmente na sociedade industrial, junto com a separação mais nítida entre tempo de trabalho e tempo fora do trabalho. Quando a jornada diminui, aparece o chamado tempo liberado, isto é, um tempo que deixa de ser ocupado pela obrigação laboral. A sacada da questão está exatamente na oposição entre esse tempo liberado e o tempo de trabalho. Se você está trabalhando, seu tempo está comprometido com a produção; quando a jornada encurta, surge uma faixa de tempo que sobra das obrigações profissionais. É esse espaço que se aproxima do lazer, entendido aqui como uso do tempo fora do trabalho. Por isso, a alternativa B está correta: o tempo liberado difere do tempo livre? Na formulação do enunciado, a ideia é justamente essa distinção histórica e conceitual: o tempo liberado é o tempo conquistado pela redução da jornada, em contraste com o tempo de trabalho. Em linguagem de prova, o CESPE costuma explorar essa oposição para ver se você identifica que lazer não é trabalho, nem extensão dele. Em termos doutrinários, a abordagem de Maria Lúcia de Aranha destaca que o lazer é uma construção histórica ligada à modernidade industrial, e não algo natural ou sempre existente na mesma forma. Então, pense assim: menos jornada, mais tempo fora da obrigação. E esse tempo, quando não está preso ao relógio do patrão, começa a virar o terreno do lazer.