A vontade objetiva — impessoal, coletiva, social, pública — cria as instituições e a moralidade como sistema regulador da vida coletiva por meio de mores, isto é, dos costumes e dos valores de uma sociedade, numa época determinada. A moralidade é uma totalidade formada pelas instituições (família, religião, artes, técnicas, ciências, relações de trabalho, organização política etc.), que obedecem, todas, aos mesmos valores e aos mesmos costumes, educando os indivíduos para interiorizarem a vontade objetiva de sua sociedade e de sua cultura. A vida ética é o acordo e a harmonia entre a vontade subjetiva individual e a vontade objetiva cultural. Marilena Chauí. Convite à Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, 2000. p. 446-47. Essa concepção de ética corresponde ao pensamento de
- A)Kant.
Errada, porque Kant centraliza a moral na autonomia do sujeito e no dever universal, não na harmonia entre instituições sociais e vontade objetiva.
- B)Rousseau.
Errada, porque Rousseau trata da vontade geral e do contrato social, mas não desenvolve essa teoria hegeliana da eticidade como conjunto de instituições.
- C)Hegel.
Certa, porque Hegel entende a vida ética como a união entre vontade individual e ordem objetiva da sociedade, realizada nas instituições e costumes.
- D)Maquiavel.
Errada, porque Maquiavel foca na ação política e na conservação do poder, não em uma teoria filosófica da moralidade coletiva.
Gabarito: C
A ideia do enunciado é bem típica de Hegel. Para ele, a liberdade não fica só na escolha íntima do indivíduo: ela se realiza de verdade na vida social, nas instituições e nos costumes de uma comunidade. Por isso aparecem no texto a família, a religião, as artes, o trabalho e a organização política como partes de um mesmo todo ético. Em Hegel, essa dimensão social da moralidade é chamada de eticidade, ou vida ética. Aqui, a vontade subjetiva, isto é, a vontade individual, encontra sua realização na vontade objetiva, que é o conjunto das normas, instituições e valores compartilhados pela sociedade. Quando as duas entram em harmonia, a pessoa não age apenas por impulso pessoal, mas participa de uma ordem social racional. É exatamente por isso que o gabarito é C. O texto fala de moralidade como sistema regulador da vida coletiva, de costumes de uma época e de instituições que educam o indivíduo para interiorizar valores sociais. Isso combina com a filosofia de Hegel, especialmente com a noção de eticidade em obras como Filosofia do Direito. Os outros autores não batem com essa visão. Kant enfatiza a autonomia moral do sujeito e o dever racional, Rousseau pensa mais no contrato social e na vontade geral, e Maquiavel está voltado à política e à manutenção do poder. Aqui, o foco não é estratégia política nem moral individual isolada, mas a ética como produto histórico e social.