No filme Matrix, de 1999, o protagonista Neo descobre que aquilo que ele pensava ser a realidade é, na verdade, uma sofisticada simulação de computador cujo propósito é aprisionar as mentes dos seres humanos. Após alguns percalços, sob a orientação do personagem Morpheus, Neo é retirado do domínio das máquinas e passa a experienciar o mundo real. Considerando-se essas informações, é correto afirmar que a referida obra, ao tratar da oposição entre o que é e o que equivocadamente se julga ser a realidade, aborda o dualismo filosófico entre
- A)liberdade e necessidade.
Errada, porque liberdade e necessidade tratam de determinismo, escolha e condicionamentos, não da oposição entre realidade e ilusão.
- B)ser e essência.
Errada, porque ser e essência não formam o dualismo pedido pelo enunciado, já que essência se refere ao que algo é em sua natureza, não ao contraste com o que parece ser.
- C)imanência e transcendência.
Errada, porque imanência e transcendência dizem respeito a modos de existência ou de relação com o mundo, e não ao contraste entre realidade e aparência.
- D)forma e substância.
Errada, porque forma e substância é um par metafísico importante, mas não expressa diretamente a ideia de algo que parece real e depois se revela falso.
- E)ser e aparência.
Certa, porque o filme trabalha a oposição entre o que realmente existe e o que apenas aparenta existir, exatamente o contraste entre ser e aparência.
Gabarito: E
Matrix brinca com uma ideia bem clássica da Filosofia: aquilo que parece real nem sempre é a realidade de fato. No filme, Neo acredita viver no mundo verdadeiro, mas depois descobre que estava preso a uma simulação. Isso conversa diretamente com a oposição entre ser e aparência: o que algo realmente é, contra o que apenas parece ser. Em linguagem filosófica, a aparência pode enganar, enquanto o ser aponta para a realidade mais profunda da coisa. Esse tipo de dualismo aparece em vários autores, especialmente na tradição platônica, em que o mundo sensível pode ser visto como aparência, cópia ou sombra do que é realmente verdadeiro. A história de Matrix funciona quase como uma versão pop dessa velha dúvida: será que estamos vendo o real ou só uma representação bem convincente? Por isso, o gabarito é a letra E. O enunciado pede exatamente a oposição entre o que é e o que equivocadamente se julga ser a realidade. Ou seja: realidade efetiva de um lado, aparência enganosa do outro. A banca gosta muito desse jogo conceitual porque ele exige que você vá além da trama do filme e identifique o par filosófico correto.