Para Marx, a alienação não é puramente teórica, porque se manifesta na vida real quando o produto do trabalho deixa de pertencer a quem produziu. Isso ocorre porque, na economia capitalista, prevalece a lógica de mercado, em que tudo tem um preço, ou seja, adquire um valor de troca, diferentemente de quando fabricamos o que é necessário para a existência (casas, roupas, livros), produtos que têm utilidade vital, valor de uso. Maria Lúcia de Aranha. Filosofia: introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009, p. 70 (com adaptações). Com relação ao assunto do texto precedente, é correto afirmar que, no novo contexto capitalista, de acordo com a perspectiva marxista, também pensada pelos frankfurtianos, quando o operário vende a sua força de trabalho mediante salário, esta se transforma em
- A)luxo.
Errada, porque luxo é algo supérfluo e não corresponde à força de trabalho vendida no capitalismo.
- B)opção.
Errada, porque a força de trabalho não vira uma simples escolha pessoal, mas um bem comprado e vendido no mercado.
- C)supérfluo.
Errada, porque supérfluo é o que não é essencial, e a questão trata da transformação da força de trabalho em algo com valor de troca.
- D)representação.
Errada, porque representação não expressa a relação econômica descrita por Marx entre trabalho, salário e mercado.
- E)mercadoria.
Certa, porque a força de trabalho, ao ser vendida por salário, assume no capitalismo a forma de mercadoria.
Gabarito: E
Para Marx, o trabalho não é só uma atividade para produzir coisas: ele revela a relação entre o trabalhador e o que foi produzido. No capitalismo, porém, o operário vende sua força de trabalho por salário, e o produto final não fica com ele, mas com o dono dos meios de produção. Aí entra a alienação: o trabalho deixa de ser expressão da vida do trabalhador e vira algo separado dele, quase estranho. Nesse cenário, o que o trabalhador vende no mercado não é um objeto qualquer, mas a sua força de trabalho, que passa a ter preço. E quando algo entra na lógica de compra e venda, com valor definido no mercado, ele se converte em mercadoria. É exatamente essa a ideia marxista que o enunciado cobra, inclusive dialogando com a crítica frankfurtiana à transformação de tudo em objeto de troca. Por isso, o gabarito é a letra E. O salário é a forma pela qual a força de trabalho aparece no capitalismo, mas o ponto central é que essa força de trabalho, ao ser comprada pelo capitalista, assume a forma de mercadoria. Em termos marxistas, isso mostra como até a capacidade de trabalhar entra na lógica do valor de troca, e não fica restrita ao valor de uso ligado à sobrevivência. Em resumo: quando você vende sua força de trabalho, ela deixa de ser só uma atividade humana concreta e passa a circular como bem negociável no mercado. Marx adoraria chamar isso de mercadoria, e a banca também.