Com Protágoras, não há mais physis, não há um ser idêntico que subjaz às aparências e que pode ser universalmente conhecido por todos através do pensamento. A medida ou a moderação, que toda a filosofia anterior havia colocado na própria physis, se transfere para o homem. As coisas são ou não são conforme os humanos as façam ser ou não ser, ou digam que elas são ou não... Marilena Chauí. Introdução à história da filosofia 1. São Paulo: Companhia das Letras Protágoras é um pensador reconhecido como
- A)pré-socrático.
Errada, porque Protágoras não é enquadrado como pré-socrático; ele integra o movimento sofista do período clássico.
- B)sofista.
Certa, pois Protágoras é um dos principais sofistas e defende a centralidade do homem na medida das coisas.
- C)pós-socrático.
Errada, porque "pós-socrático" não é a classificação tradicional usada para Protágoras e não descreve sua escola.
- D)socrático.
Errada, já que Protágoras não pertence ao grupo socrático e sua visão é anterior e diferente da de Sócrates.
- E)cínico.
Errada, porque o cinismo é uma corrente posterior, associada a Diógenes e Antístenes, não a Protágoras.
Gabarito: B
Protágoras é um dos nomes mais famosos da sofística na Grécia antiga. Os sofistas eram mestres da retórica e da argumentação, e costumavam defender que a verdade depende do ponto de vista humano, não de uma natureza fixa e universal das coisas. A frase do enunciado aponta exatamente isso: a medida deixa de estar na physis e passa para o homem, isto é, para a percepção, a convenção e a linguagem humanas. É daí que vem a ideia atribuída a Protágoras de que "o homem é a medida de todas as coisas". Em vez de buscar uma verdade absoluta escondida na natureza, ele valoriza o que aparece aos indivíduos e como cada um interpreta o mundo. Isso combina muito bem com a sofística, que questiona certezas universais e enfatiza a força do discurso. Por isso, o gabarito é B. Protágoras não é classificado como pré-socrático, porque sua reflexão já faz parte do ambiente intelectual clássico ligado aos sofistas, nem como socrático ou cínico, que são correntes diferentes e posteriores em relação ao seu papel histórico. Aqui a banca quer que você identifique a marca central do pensamento dele: relativismo e centralidade do ser humano na construção do conhecimento.