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Filosofia · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Filosofia

Segundo algumas das principais teorias políticas dos séculos XVII e XVIII, contrato social consiste em uma concepção que busca explicar

Gabarito: A

A ideia de contrato social, nas teorias políticas dos séculos XVII e XVIII, tenta explicar como os seres humanos saem de um suposto estado de natureza e chegam à vida em sociedade organizada. Em autores como Hobbes, Locke e Rousseau, esse passo não acontece por mágica: ele é pensado como um acordo, real ou hipotético, pelo qual os indivíduos aceitam criar uma autoridade política para garantir ordem, segurança e convivência. É o velho truque filosófico para responder: "por que obedecer ao Estado?". Nesse contexto, o ponto central é a passagem do estado de natureza para o estado civil ou sociedade civil. Em linhas gerais, os indivíduos renunciam a uma liberdade totalmente natural e aceitam limites em troca de proteção e organização política. Em Hobbes, isso aparece com força na entrega do poder ao soberano, que concentra a autoridade para evitar a guerra de todos contra todos. Em Locke e Rousseau, a ideia muda nos detalhes, mas continua sendo uma explicação contratual da origem do poder político. Por isso, o gabarito A está correto: ele descreve exatamente essa transição do estado de natureza para o estado civil, mediada pelo assentimento dos indivíduos e pela transferência do protagonismo político a um soberano. A banca quer que você reconheça o núcleo do contrato social, e não se perca nas palavras bonitas da alternativa. As demais opções invertem o sentido do processo, falam em retorno ao estado de natureza ou introduzem elementos estranhos, como um ser divino ocupando o lugar do soberano. Em teoria política clássica, contrato social não é regressão nem teologia política improvisada: é a explicação da fundação da sociedade civil.

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