Segundo a tradição erudita, a filosofia nasce com Tales e Anaximandro; no século XIX, buscaram-se suas origens mais remotas em lendários contatos com as culturas orientais, com o pensamento egípcio e indiano. Por essa via não foi possível comprovar coisa alguma, só se conseguiram estabelecer analogias e paralelismos. G. Colli. O nascimento da filosofia. Campinas: Editora Unicamp, 1992, p.9 Essa tradição erudita sinaliza o
- A)nascimento da filosofia no oriente.
Errada, porque a tradição erudita não localiza o nascimento da filosofia no Oriente, mas na Grécia jônica.
- B)nascimento da filosofia nas colônias egípcias.
Errada, porque o enunciado não fala em colônias egípcias, e sim em colônias gregas onde surgem Tales e Anaximandro.
- C)ocaso da filosofia no oriente.
Errada, porque a questão trata do nascimento da filosofia, não de seu declínio, e muito menos no Oriente.
- D)ocaso da filosofia nas colônias indianas.
Errada, porque as colônias indianas não são o marco histórico tradicional da origem da filosofia na leitura clássica.
- E)nascimento da filosofia nas colônias gregas.
Certa, porque a tradição erudita situa o nascimento da filosofia nas colônias gregas da Jônia, associadas aos primeiros filósofos.
Gabarito: E
A questão gira em torno de uma tese clássica sobre a origem da filosofia: a tradição erudita situa o nascimento da filosofia na Grécia, especialmente entre os chamados pré-socráticos, como Tales e Anaximandro. A ideia central é que, ali, surge uma explicação racional da realidade, em vez de mitos e narrativas sagradas como forma principal de conhecimento. Em outras palavras, a filosofia aparece quando o pensamento começa a perguntar pelos princípios das coisas de modo argumentativo e crítico. O trecho de G. Colli mostra justamente isso: ao lembrar Tales e Anaximandro, ele reforça a visão de que a filosofia nasce nas colônias gregas da Jônia, isto é, em cidades gregas fora da Grécia continental, como Mileto. Foi nesse ambiente cultural que se consolidou a passagem do mythos para o logos, uma marca tradicional do início da filosofia no Ocidente. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Não se trata de nascimento no Egito, na Índia ou em um oriente genérico, mas da origem na experiência intelectual grega, associada às colônias helênicas. A banca gosta muito dessa distinção: origem da filosofia, na leitura clássica, é grega e colonial, não oriental. Se você lembrar de uma fórmula simples, ela ajuda bastante: filosofia antiga = Grécia jônica + pensamento racional + busca de explicações universais. Parece detalhe histórico, mas em prova isso costuma virar uma casca de banana bem produzida.