Os fármacos usados para o tratamento da malária são dirigidos a vários locais de ação, visto que nenhum agente isolado é capaz de atingir todo o ciclo de vida do parasito. (Fonte: Ritter, James M. Rang & Dale Farmacologia. (9th edição). Grupo GEN, 2020.) Em relação ao Tratamento antimalárico, analise os itens abaixo. I. Os fármacos usados para tratar a crise aguda da malária agem nos parasitos no sangue; podem curar as infecções pelos parasitos (p. ex., Plasmodium falciparum) que não têm um estágio exoeritrocítico. II. Os fármacos usados para quimioprofilaxia (profiláticos causais) agem nos merozoítos emergindo das células hepáticas. III. Os fármacos empregados na “cura radical” não são ativos contra os parasitos no fígado. IV. Alguns fármacos agem nos gametócitos e evitam a transmissão pelo mosquito.
- A)Somente as afirmações I e IV são verdadeiras.
Correta, porque apenas as afirmações I e IV estão de acordo com os alvos reais dos antimaláricos.
- B)Somente as afirmações I e II são verdadeiras.
Errada, porque a II está incorreta e a IV também é verdadeira, então o conjunto não fecha.
- C)Somente as afirmações II e III são verdadeiras.
Errada, porque a III é falsa e a I é verdadeira, então não restam apenas II e III.
- D)As afirmações I, II e IV são verdadeiras.
Errada, porque a II é falsa; logo não são verdadeiras I, II e IV ao mesmo tempo.
Gabarito: A
A malária exige tratamento em mais de um ponto do ciclo do Plasmodium porque o parasito passa por fases diferentes no fígado, no sangue e, em alguns casos, forma gametócitos. Por isso, existe remédio para crise aguda, para prevenção e para cura radical. É quase uma “caça ao inimigo em três terrenos”. Na crise aguda, os fármacos atuam nos parasitos no sangue, isto é, nos esquizontes eritrocíticos. Isso explica a afirmação I: eles controlam a doença clínica e podem curar infecções causadas por espécies que não deixam fase hepática latente, como o P. falciparum. Já a quimioprofilaxia causal age antes de o parasito sair do fígado e alcançar o sangue. Então a afirmação II erra ao falar em merozoítos emergindo das células hepáticas, porque o alvo é a fase hepática, não o merozoíto circulante. A afirmação III também está errada: os fármacos da “cura radical” justamente são ativos contra as formas hepáticas latentes, como os hipnozoítos de P. vivax e P. ovale. A afirmação IV está correta porque alguns fármacos agem nos gametócitos e ajudam a cortar a transmissão pelo mosquito. Em resumo, o gabarito A está certo porque apenas I e IV descrevem adequadamente os alvos terapêuticos da malária.