“A análise de problemas relacionados a medicamentos em pacientes pediátricos internados, e em uso de medicamentos orais, foi realizada através de um estudo transversal de corte prospectivo. Utilizando prescrições médicas como principal fontes de dados.” OSÓRIO-DE-CASTRO, C. G. S. et al. Estudos de utilização de medicamentos: noções básicas. Rio de Janeiro, 200, v. 1. 92 p. Com base no exposto, o estudo pode ser classificado, do ponto de vista farmacoepidemiológico, como
- A)ensaio clínico randomizado aberto.
Errada, porque ensaio clínico randomizado aberto exige intervenção, randomização e comparação entre grupos, o que não ocorreu.
- B)revisão sistemática.
Errada, pois revisão sistemática reúne e analisa estudos já publicados, e aqui houve coleta direta de dados em pacientes/prescrições.
- C)estudo de intervenção.
Errada, porque estudo de intervenção pressupõe atuação do pesquisador sobre a conduta ou exposição, o que não aparece no enunciado.
- D)estudo observacional descritivo.
Certa, pois o estudo apenas observou e descreveu problemas relacionados a medicamentos a partir de prescrições, sem intervenção.
- E)estudo de coorte.
Errada, já que estudo de coorte envolve acompanhamento de expostos e não expostos ao longo do tempo para comparar desfechos, o que não foi o desenho descrito.
Gabarito: D
Na farmacoepidemiologia, a primeira pergunta é: o estudo apenas observa o que acontece ou intervém no tratamento? Aqui, a pesquisa analisou problemas relacionados a medicamentos em pacientes pediátricos internados, usando prescrições médicas como fonte de dados. Isso mostra uma coleta de informação sobre a realidade assistencial, sem manipular a terapia nem sortear pacientes para grupos diferentes. Quando o estudo é transversal, ele olha um recorte do tempo, como uma fotografia. Quando é prospectivo, ele acompanha a coleta adiante, mas ainda sem interferir na conduta. Esse detalhe costuma confundir muita gente, porque “prospectivo” não transforma automaticamente o trabalho em coorte ou intervenção. O que manda é se houve ou não intervenção e se houve comparação temporal de desfechos entre expostos e não expostos. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Trata-se de um estudo observacional descritivo, já que o pesquisador apenas registra e descreve os problemas relacionados a medicamentos a partir das prescrições, sem randomização, sem tratamento experimental e sem desenho analítico de seguimento típico de coorte. Em resumo: observou, descreveu e organizou os dados. Não mexeu na terapia, não fez grupo controle e não tentou testar eficácia de medicamento. Na prática, é o tipo de questão em que a banca quer saber se você sabe separar “olhar o fenômeno” de “interferir no fenômeno”.