As reações adversas medicamentosas são quaisquer efeitos indesejados de uma substância (incluindo medicamentos). Algumas resultam de mecanismos que não são atualmente compreendidos, sendo, em grande parte, imprevisível. Exemplos de tais reações adversas medicamentosas incluem erupções cutâneas, icterícia, anemia, redução na contagem de glóbulos brancos, lesão renal e lesão nervosa que pode prejudicar a visão ou a audição. Essas reações tendem a ser mais graves, mas ocorrem, tipicamente, em um número muito pequeno de pessoas. Essas reações são classificadas como
- A)alérgicas medicamentosas.
Errada, porque reações alérgicas são mediadas pelo sistema imunológico e não são definidas apenas por serem raras ou imprevisíveis.
- B)adversas medicamentosas morfológicas.
Errada, porque não se trata de alteração morfológica como categoria de reação adversa, e sim de um tipo de resposta clínica imprevisível.
- C)adversas medicamentosas idiossincráticas.
Certa, pois descreve reações raras, imprevisíveis e por vezes graves, típicas das reações adversas idiossincráticas.
- D)adversas medicamentosas relacionadas a dose.
Errada, porque reações relacionadas à dose são previsíveis e dependem da quantidade administrada, o que não é o caso do enunciado.
Gabarito: C
As reações adversas medicamentosas podem ser divididas, de forma bem clássica, em tipos como: relacionadas à dose, alérgicas e idiossincráticas. As relacionadas à dose costumam ser previsíveis e dependem da quantidade usada, então o corpo praticamente "avisa" antes. Já as alérgicas envolvem resposta imunológica, como se o organismo reconhecesse o fármaco como inimigo. O enunciado descreve efeitos que são incomuns, pouco previsíveis, muitas vezes graves e que aparecem em um número pequeno de pessoas, como lesão renal, hepática, alterações hematológicas e neurológicas. Esse perfil é típico das reações idiossincráticas, que não dependem de uma resposta imune clássica nem seguem, necessariamente, a relação simples com a dose. É aquela reação que parece dizer: "isso não era para acontecer, mas aconteceu". Na doutrina farmacológica, a reação idiossincrática é geralmente ligada a particularidades individuais, muitas vezes de base genética ou metabólica, o que explica sua raridade e imprevisibilidade. Por isso, o gabarito é a letra C: o enunciado está descrevendo justamente uma reação adversa idiossincrática. Em prova, desconfie quando a banca juntar "raridade", "imprevisibilidade" e "lesão grave em poucos pacientes". Esse trio quase sempre aponta para uma reação idiossincrática, e não para efeito dose-dependente ou alergia clássica.