Duas categorias gerais de testes laboratoriais da hemostasia são indicadas para avaliar se um paciente tem um defeito hemorrágico sistêmico: os testes de triagem e os testes especializados. Um teste de triagem que avalia certos mecanismos específicos e comuns da coagulação pode ser procedido empregando-se uma lipoproteína extraída do cérebro do coelho, a tromboplastina tecidual (Fator III), que é adicionada ao plasma, e o tempo de coagulação é medido após a incorporação do cálcio. Normalmente, esse tempo é de 10 a 14 segundos. Efetivamente, esse tempo de coagulação mais rápido é o resultado da formação de um complexo da tromboplastina tecidual com o Fator VII, determinando uma ativação direta do Fator X que continua o processo até a formação do coágulo. Com base nesse relato, o teste em questão é
- A)a prova do laço.
A prova do laço avalia fragilidade capilar e plaquetária, não a cascata da coagulação descrita no enunciado.
- B)o tempo de protrombina.
Correta: o teste usa tromboplastina tecidual e cálcio para medir o tempo da via extrínseca e da via comum, caracterizando o tempo de protrombina.
- C)o tempo de sangramento.
O tempo de sangramento avalia principalmente a hemostasia primária, com plaquetas e vasos, e não o mecanismo descrito com fator III, VII e X.
- D)o tempo de tromboplastina.
O tempo de tromboplastina parcial ativada avalia sobretudo a via intrínseca, usando ativadores diferentes da tromboplastina tecidual citada no enunciado.
- E)o tempo de coagulação.
O tempo de coagulação é um teste mais global e inespecífico, sem o uso característico de tromboplastina tecidual e cálculo descritos na questão.
Gabarito: B
A hemostasia pode ser avaliada por testes de triagem e por testes especializados. Nos testes de triagem, a ideia é medir rapidamente se a cascata da coagulação está funcionando de forma global, como quem faz uma checagem rápida no painel do carro antes de pegar estrada. Entre esses exames, um dos mais clássicos é o tempo de protrombina, que usa tromboplastina tecidual e cálcio para avaliar principalmente a via extrínseca e a via comum da coagulação. No enunciado, a pista decisiva é a presença da tromboplastina tecidual, também chamada fator III, adicionada ao plasma, com posterior adição de cálcio e medida do tempo de coagulação. Esse é exatamente o princípio do tempo de protrombina (TP), que normalmente fica em torno de 10 a 14 segundos, como o texto descreve. O TP avalia principalmente a atuação do fator VII na via extrínseca e, depois, a ativação do fator X, seguindo pela via comum até a formação do coágulo. Por isso, ele é muito útil para rastrear alterações de coagulação e também para monitorar terapias anticoagulantes, como a varfarina. Então, o gabarito é a letra B porque o teste descrito no enunciado é o tempo de protrombina. O enunciado praticamente entrega o nome do exame de bandeja: tromboplastina tecidual + cálcio + tempo de coagulação = TP.