A potencial consequência ou interferência em resultados de exames laboratoriais decorrentes da hemólise, um processo que pode ocorrer se a coleta de sangue não for realizada adequadamente, levando à destruição de glóbulos vermelhos, é
- A)a diminuição da concentração de constituintes que existem em maior quantidade nos eritrócitos do que no plasma (ou soro).
Errada, porque a hemólise não diminui os constituintes mais concentrados nas hemácias, e sim pode elevá-los no plasma/soro pela liberação celular.
- B)o aumento da concentração das substâncias que são mais abundantes nas hemácias do que no plasma (ou soro).
Certa, porque a ruptura das hemácias libera para a amostra substâncias que são mais abundantes dentro delas do que no plasma/soro.
- C)a manutenção da cor original do plasma (ou soro), apesar do escape da hemoglobina das hemácias.
Errada, porque a hemólise altera a cor da amostra pela liberação de hemoglobina, tornando o plasma/soro hemolisado.
- D)o aumento da concentração de constituintes que existem em menor quantidade nos eritrócitos do que no plasma (ou soro).
Errada, porque constituintes menos abundantes nas hemácias não são o principal efeito da hemólise; o esperado é aumento de componentes intracelulares.
- E)a diminuição da concentração das substâncias que são mais abundantes nas hemácias do que no plasma (ou soro).
Errada, porque a hemólise não reduz a concentração das substâncias abundantes nas hemácias no sentido laboratorial relevante, e sim pode aumentá-las no material analisado.
Gabarito: B
Hemólise é a quebra das hemácias, com liberação do conteúdo intracelular para o plasma ou soro. Na prática, isso atrapalha o exame porque o laboratório passa a medir, em parte, substâncias que estavam concentradas dentro dos eritrócitos, e não apenas no compartimento líquido da amostra. Ou seja, a amostra fica "contaminada" pelo interior da hemácia, o que pode falsear diversos resultados. Por isso, a principal consequência é o aumento da concentração de substâncias mais abundantes nas hemácias do que no plasma ou soro. Clássicos exemplos são potássio, LDH e AST, que podem subir artificialmente quando há hemólise. É o tipo de interferência que faz o resultado parecer mais grave do que realmente é. A banca FGV costuma cobrar exatamente essa lógica simples: se a hemácia rompeu, o que estava dentro dela vaza para fora. Então não faz sentido falar em diminuição dessas substâncias nem em manutenção da cor do soro, porque a hemoglobina liberada costuma deixar a amostra com aspecto hemolisado, avermelhado ou rosado. Em resumo, hemólise tende a aumentar analitos intracelulares e prejudicar a interpretação do exame. Por isso, o gabarito é a letra B.