Com base nas diretrizes que regulamentam o controle de infecção hospitalar no Brasil, avalie as afirmativas a seguir. I. Todas as ações realizadas pela comissão de controle de infecção hospitalar têm como objetivo a redução nas taxas de infecção. II. Dentre os indicadores de uso de antimicrobianos, indica-se analisar o percentual de pacientes que usaram antimicrobianos (uso profilático ou terapêutico) no período considerado. III. A taxa de pacientes com infecção hospitalar é calculada tomando como numerador o número de doentes que apresentaram infecção hospitalar no período considerado, e como denominador, o total de óbitos no período. Está correto o que se afirmar em
- A)I, apenas
A opção afirma que apenas a I é verdadeira, isto é, que o trabalho da CCIH visa reduzir as infecções hospitalares. O problema é que a II também descreve corretamente um indicador de uso de antimicrobianos, baseado no percentual de pacientes que os receberam no período, de forma profilática ou terapêutica. Como a III usa um denominador errado ao relacionar o indicador aos óbitos, não basta marcar só a I.
- B)I e II, apenas.
A opção reúne I e II, que são as afirmativas compatíveis com a Portaria MS nº 2.616/1998 e com a vigilância de antimicrobianos. A I traduz o objetivo do programa de controle de infecção, que é reduzir ao máximo a incidência e a gravidade das infecções hospitalares; a II traz um indicador aceito de monitoramento do uso de antimicrobianos. A III, porém, erra a base de cálculo ao usar o total de óbitos, e por isso a combinação correta é exatamente essa.
- C)I e III, apenas.
A opção aceita I e III. A primeira está de acordo com o objetivo do controle de infecção hospitalar, mas a terceira descreve mal o indicador, porque o denominador não é o total de óbitos e sim a população de pacientes atendidos ou expostos no período. Além disso, a II também está correta ao indicar o percentual de pacientes que utilizaram antimicrobianos.
- D)II e III, apenas.
A opção coloca como verdadeiras II e III. A II realmente corresponde a um indicador de uso de antimicrobianos, útil para acompanhar consumo e profilaxia, mas a III é incorreta porque mistura o numerador de casos com um denominador de óbitos, o que não expressa a taxa de pacientes com infecção hospitalar. Falta ainda a I, que também é verdadeira por refletir o objetivo central da CCIH.
- E)I, II e III.
A opção considera verdadeiras as três afirmativas. As duas primeiras se sustentam, pois o controle de infecção hospitalar busca reduzir a incidência e a gravidade das infecções, e o percentual de pacientes que receberam antimicrobianos é indicador válido de monitoramento. A terceira derruba a alternativa, porque a taxa não é calculada sobre óbitos, mas sobre a população de pacientes internados ou saídas no período.
Gabarito: B
As Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) existem para reduzir o risco de infecções relacionadas à assistência, com ações de vigilância, prevenção e controle. Na prática, elas não ficam só “contando infecções”: analisam dados, sugerem medidas e acompanham resultados para baixar as taxas e melhorar a segurança do paciente. Isso conversa com a Portaria MS nº 2.616/1998, que organiza as diretrizes do controle de infecção hospitalar no Brasil. A afirmativa I está correta porque o objetivo central dessas ações é, sim, reduzir as taxas de infecção hospitalar. É o famoso lema do controle de infecção: identificar o problema, agir e medir se melhorou. Sem monitoramento, a comissão vira só um grupo de boas intenções - e isso não resolve muita coisa. A afirmativa II também está correta. Entre os indicadores de uso de antimicrobianos, faz sentido avaliar o percentual de pacientes que receberam antibióticos no período, seja para profilaxia ou tratamento. Esse tipo de indicador ajuda a entender o padrão de consumo e a detectar uso excessivo ou inadequado. Já a afirmativa III está errada porque a taxa de pacientes com infecção hospitalar não usa o total de óbitos como denominador. O denominador deve refletir a população em risco, como o total de pacientes internados, altas ou pacientes-dia, dependendo do indicador adotado. Misturar infecção com óbito aqui é trocar a régua, e a conta sai completamente torta.