A dapagliflozina é um inibidor de SGLT-2 que compõe a linha de tratamento do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Diabete Melito do tipo II do Ministério da Saúde (2020). De acordo com estas diretrizes I. a dapagliflozina não é indicada para pacientes com taxa de filtração glomerular superior a 45mL/min/1,73m. II. existe boa base de evidências de benefícios deste fármaco no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva com fração de ejeção reduzida. III. seu mecanismo de ação envolve aumentar a excreção renal de glicose. Está correto o que se afirma em
- A)II, apenas.
A opção sustenta que somente a afirmativa II estaria correta. O conteúdo da II está alinhado às evidências clínicas, como o estudo DAPA-HF, que mostrou benefício da dapagliflozina na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. O erro é ignorar que a III também está certa, pois o fármaco bloqueia o SGLT-2 e aumenta a excreção urinária de glicose.
- B)I e II, apenas.
Esta alternativa reúne I e II como se ambas fossem verdadeiras. A II se sustenta pelo benefício cardiológico já demonstrado em ensaios como o DAPA-HF, mas a I está formulada ao contrário do que orientam o PCDT e a prática clínica: a limitação de uso ocorre com TFG reduzida, não com TFG acima de 45 mL/min/1,73m². Assim, a conjunção falha porque um dos enunciados não procede.
- C)I e III, apenas
Aqui se afirma que I e III estariam corretas. A III descreve corretamente o mecanismo da dapagliflozina, um inibidor de SGLT-2 que reduz a reabsorção tubular de glicose e aumenta sua eliminação na urina. Já a I erra o critério renal, porque a restrição de indicação recai sobre a função renal baixa, e não sobre pacientes com TFG superior a 45 mL/min/1,73m².
- D)II e III, apenas.
A opção aponta II e III como corretas, exatamente o quadro compatível com o conteúdo técnico. A II encontra respaldo nas evidências de desfechos favoráveis na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, e a III traduz o mecanismo farmacológico do grupo SGLT-2, que promove glicosúria ao bloquear a reabsorção de glicose no túbulo proximal. Como a I está invertida em relação ao critério de função renal, ela fica de fora e esta é a combinação certa.
- E)I, II e III.
Esta alternativa afirma que as três proposições estariam certas. O problema é a I, porque a regulação de uso da dapagliflozina não exclui quem tem TFG acima de 45 mL/min/1,73m²; a preocupação clínica é com TFG abaixo desse patamar, quando cai a eficácia hipoglicemiante. II e III podem ser aceitas, mas a presença da I torna o conjunto incorreto.
Gabarito: D
A dapagliflozina é um inibidor de SGLT-2, ou seja, atua no rim impedindo a reabsorção de glicose no túbulo proximal. Resultado prático: mais glicose vai embora pela urina, e a glicemia cai. É aquele mecanismo elegante que parece simples, mas faz bastante diferença no controle do diabetes tipo 2. No PCDT do Ministério da Saúde de 2020, a indicação da dapagliflozina depende da função renal. A afirmação I está errada porque o limite não é “não indicar quando a taxa de filtração glomerular é superior a 45 mL/min/1,73 m2”. Na lógica do protocolo, a restrição é para valores abaixo do ponto de corte, não acima dele. A afirmação II está correta: há boa base de evidências mostrando benefício da dapagliflozina na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Esse efeito cardiovascular virou um dos grandes destaques da classe dos inibidores de SGLT-2, indo além do controle glicêmico. A afirmação III também está correta, porque o mecanismo de ação realmente aumenta a excreção renal de glicose. Assim, o gabarito é a letra D: apenas II e III estão corretas.