Um paciente inicia tratamento com enalapril e alguns dias depois, inicia uma tosse seca. Mais tarde, foi diagnosticado com uma faringite, que foi tratada, tendo melhorado da tosse, mesmo após a reintrodução do enalapril. Pode-se, inequivocamente, dizer que houve um(a)
- A)evento adverso.
Correta, porque houve um sintoma indesejado durante o uso do medicamento, mas o caso não permite afirmar com certeza que o enalapril foi a causa.
- B)reação adversa ao medicamento.
Incorreta, porque reação adversa exige relação causal mais definida com o medicamento, o que foi enfraquecido pela melhora com o tratamento da faringite.
- C)efeito placebo.
Incorreta, pois não há qualquer indicação de melhora por expectativa psicológica ou sugestão terapêutica.
- D)erro de medicação.
Incorreta, já que não há erro na prescrição, dispensação, administração ou uso do medicamento descrito no enunciado.
- E)falha terapêutica.
Incorreta, porque falha terapêutica é ausência de efeito esperado do tratamento, e aqui o problema foi um sintoma associado ao uso, não a ineficácia do enalapril.
Gabarito: A
Em farmacovigilância, a chave é separar o que é apenas uma ocorrência durante o tratamento do que é uma reação causada pelo medicamento. Quando um sinal ou sintoma aparece depois do uso de um remédio, mas ainda não dá para afirmar com segurança que ele foi provocado por esse remédio, estamos diante de um evento adverso. É a ideia de linha do tempo: aconteceu após, mas a causalidade ainda não foi fechada. Já a reação adversa ao medicamento exige uma relação causal mais consistente com o fármaco. Em outras palavras, o medicamento não só estava presente na história, como também é o responsável provável pelo problema. Na prática, essa distinção é muito usada em notificação de farmacovigilância e também nos conceitos da ANVISA e da OMS: evento adverso é o acontecimento indesejado durante o uso, enquanto reação adversa é o dano associado causalmente ao medicamento. No caso da questão, o paciente começou enalapril e depois teve tosse seca, o que até lembra o efeito clássico desse IECA. Só que a tosse melhorou quando ele tratou uma faringite, e continuou melhor mesmo após reintroduzir o enalapril. Isso enfraquece bastante a ideia de causalidade com o remédio. Se o quadro melhorou por outra explicação clínica e não se repetiu de forma convincente com a reexposição, não dá para afirmar inequivocamente que foi reação adversa ao medicamento. Por isso, o gabarito é evento adverso. Houve um fato indesejado no tempo de uso do enalapril, mas a própria narrativa impede fechar o nexo causal com segurança. Em prova, quando a banca usa palavras como "inequivocamente", ela está pedindo o raciocínio mais criterioso: sem causalidade bem estabelecida, fica no campo do evento adverso.