O câncer de pulmão é uma das principais causas de mortes por câncer no mundo. Em 2018, a International Agency for Research on Cancer (IARC), publicou estimativa de mais de dois milhões de casos da neoplasia no mundo, evidenciando aumento expressivo frente aos dados coletados em 2012. Além do tabagismo, esta doença está associada a fatores ambientais, ocupacionais, infecções e doenças pulmonares crônicas. Estes dados epidemiológicos corroboram a pesquisa por novos alvos terapêuticos, especialmente na imunoterapia focada nos inibidores de checkpoint. Assinale a opção que apresenta a relação entre o anticorpo utilizado no tratamento de tumores de pulmão e seu alvo molecular.
- A)Pembrolizumabe / CTLA-4.
Errada: o pembrolizumabe não atua em CTLA-4, e sim em PD-1.
- B)Nivolumabe / PD-L1.
Errada: nivolumabe bloqueia PD-1, não PD-L1.
- C)Atezolizumabe / PD-1.
Errada: atezolizumabe bloqueia PD-L1, não PD-1.
- D)Durvalumabe / CTLA-4.
Errada: durvalumabe é anti-PD-L1, não anti-CTLA-4.
- E)Pembrolizumabe / PD-1.
Certa: pembrolizumabe é um anticorpo anti-PD-1, usado na imunoterapia de tumores, inclusive pulmonares.
Gabarito: E
A imunoterapia dos tumores, especialmente no câncer de pulmão, costuma mirar os chamados pontos de controle imunológicos, que funcionam como freios da resposta imune. A lógica é simples: o tumor tenta se esconder desativando os linfócitos T, e o tratamento entra justamente para tirar o pé do freio. Parece truque de videogame, mas é farmacologia pesada. O pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia o receptor PD-1, presente nos linfócitos T. Quando esse receptor é bloqueado, o linfócito recupera sua atividade contra as células tumorais. Por isso, ele é usado em vários tumores sólidos, incluindo câncer de pulmão, com papel importante em protocolos oncológicos. A chave da questão está em não confundir os alvos: PD-1 é o receptor no linfócito, enquanto PD-L1 é o ligante expresso por células tumorais e outras células do microambiente. Já CTLA-4 é outro ponto de controle, mais relacionado à fase inicial da ativação linfocitária, e não é o alvo do pembrolizumabe. Assim, a alternativa correta é a que associa pembrolizumabe a PD-1. É uma relação clássica de prova: nome do anticorpo de um lado, alvo molecular do outro, sem trocar receptor por ligante nem misturar com CTLA-4.