Durante a fármacoterapia, os medicamentos interagem com os receptores do organismo, resultando em diversos efeitos no sistema biológico. As interações droga-receptor podem ser complexas e determinar o resultado terapêutico pretendido ou ocasionar efeitos indesejados. Considere que uma paciente jovem, diagnosticada com transtorno do pânico, está em tratamento com um ansiolítico da classe dos benzodiazepínicos. Entretanto, após algumas semanas de uso contínuo, ela relata que a eficácia do ansiolítico tem diminuído, sendo necessário aumentar a dose para obter o mesmo efeito inicial. Essa diminuição da resposta farmacológica pode ser considerada uma interação droga-receptor do tipo
- A)efeito teto.
Errada: efeito teto é o limite máximo de resposta de um fármaco, e não a perda progressiva de eficácia com uso contínuo.
- B)sinergismo aditivo.
Errada: sinergismo aditivo ocorre quando dois fármacos somam efeitos, não quando um medicamento vai perdendo efeito ao longo do tempo.
- C)tolerância farmacológica.
Certa: a necessidade de aumentar a dose após algumas semanas indica tolerância farmacológica.
- D)antagonismo competitivo.
Errada: antagonismo competitivo acontece quando uma substância bloqueia o receptor de outra, e não descreve adaptação do organismo ao uso crônico.
- E)potencialização farmacológica.
Errada: potencialização farmacológica ocorre quando um fármaco aumenta o efeito de outro, o oposto da redução de resposta descrita no enunciado.
Gabarito: C
Quando um medicamento passa a fazer menos efeito após uso contínuo, a ideia central é adaptação do organismo. No caso dos benzodiazepínicos, isso pode acontecer porque o sistema nervoso vai “se acostumando” à presença da droga, e a mesma dose já não produz a mesma resposta de antes. Em farmacologia, isso é chamado de tolerância farmacológica. A tolerância pode exigir aumento de dose para manter o efeito terapêutico, mas isso vem com atenção redobrada, porque benzodiazepínicos têm risco de dependência, sedação e prejuízo psicomotor. Ou seja: o remédio não “parou de funcionar do nada”; o organismo é que ajustou a resposta ao longo do tempo. Na linguagem droga-receptor, essa redução de resposta após uso repetido não é antagonismo nem sinergismo. É uma diminuição progressiva do efeito do fármaco, típica de tolerância, muito cobrada em questões sobre psicofármacos. O gabarito C está correto justamente porque a paciente precisou aumentar a dose para obter o mesmo efeito inicial. Se quiser guardar de forma prática: efeito menor com a mesma dose, depois de uso contínuo, pense primeiro em tolerância. Em benzodiazepínicos, isso é clássico em prova de concurso.