Avanços importantes no tratamento para o câncer de mama têm sido observado nos últimos anos, como a crescente busca na individualização da fármacoterapia. A escolha do tratamento deve estar de acordo com o estadiamento da doença, as características biológicas do tumor, e, até mesmo, o estado de saúde da paciente, levando em conta idade, comorbidades e status menopausal. O tratamento sistêmico consiste em quimioterapia, terapia biológica e hormonioterapia. Para tratamento de câncer de mama avançado ou metastático HER2 negativo com mutação no gene BRCA1/2, é indicado
- A)trastuzumabe.
Errada, porque trastuzumabe é um anticorpo anti-HER2 e a questão afirma que o tumor é HER2 negativo.
- B)tamoxifeno.
Errada, porque tamoxifeno é hormonioterapia e é mais usado em tumores com receptor hormonal positivo, não como alvo da mutação BRCA.
- C)abemaciclibe.
Errada, porque abemaciclibe é um inibidor de CDK4/6 indicado em geral para câncer de mama hormônio-positivo, não para mutação BRCA1/2.
- D)anastrozol.
Errada, porque anastrozol é inibidor de aromatase, usado em tumores hormônio-dependentes, e não responde à característica genética descrita.
- E)olaparibe.
Certa, porque olaparibe é um inibidor de PARP indicado no câncer de mama avançado ou metastático HER2 negativo com mutação em BRCA1/2.
Gabarito: E
No câncer de mama avançado ou metastático, a escolha do tratamento depende do perfil biológico do tumor, porque hoje não basta olhar apenas o tamanho da lesão: receptores hormonais, HER2 e mutações genéticas entram no jogo. Quando o tumor é HER2 negativo e há mutação em BRCA1/2, a ideia é explorar a fragilidade da célula tumoral no reparo do DNA. É aí que entram os inibidores de PARP, como o olaparibe, que “atrapalham” ainda mais o conserto do DNA e favorecem a morte da célula cancerosa. Esse raciocínio é bem clássico na oncologia personalizada: você trata de forma mais direcionada, com base na alteração molecular que o tumor apresenta. No caso da questão, o enunciado já entrega os dois pontos-chave: doença avançada/metastática, HER2 negativo e mutação BRCA1/2. Isso aponta para terapia-alvo com olaparibe, e não para hormonioterapia ou anti-HER2. O olaparibe é um inibidor da enzima PARP, muito usado em tumores com defeito de recombinação homóloga, como os associados a mutações BRCA. Na prática, ele é indicado justamente para esse cenário de câncer de mama HER2 negativo com mutação BRCA, o que torna a alternativa E a correta. As demais opções parecem plausíveis, mas pertencem a outros contextos: trastuzumabe é anti-HER2, tamoxifeno e anastrozol são hormonioterápicos, e abemaciclibe é um inibidor de CDK4/6 usado sobretudo em doença hormônio-positiva. Aqui, a pista decisiva é a mutação BRCA com HER2 negativo, que faz o pensamento ir direto para PARP.