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Farmácia · FGV · 2023

Questão comentada de Farmácia

Avanços importantes no tratamento para o câncer de mama têm sido observado nos últimos anos, como a crescente busca na individualização da fármacoterapia. A escolha do tratamento deve estar de acordo com o estadiamento da doença, as características biológicas do tumor, e, até mesmo, o estado de saúde da paciente, levando em conta idade, comorbidades e status menopausal. O tratamento sistêmico consiste em quimioterapia, terapia biológica e hormonioterapia. Para tratamento de câncer de mama avançado ou metastático HER2 negativo com mutação no gene BRCA1/2, é indicado

Gabarito: E

No câncer de mama avançado ou metastático, a escolha do tratamento depende do perfil biológico do tumor, porque hoje não basta olhar apenas o tamanho da lesão: receptores hormonais, HER2 e mutações genéticas entram no jogo. Quando o tumor é HER2 negativo e há mutação em BRCA1/2, a ideia é explorar a fragilidade da célula tumoral no reparo do DNA. É aí que entram os inibidores de PARP, como o olaparibe, que “atrapalham” ainda mais o conserto do DNA e favorecem a morte da célula cancerosa. Esse raciocínio é bem clássico na oncologia personalizada: você trata de forma mais direcionada, com base na alteração molecular que o tumor apresenta. No caso da questão, o enunciado já entrega os dois pontos-chave: doença avançada/metastática, HER2 negativo e mutação BRCA1/2. Isso aponta para terapia-alvo com olaparibe, e não para hormonioterapia ou anti-HER2. O olaparibe é um inibidor da enzima PARP, muito usado em tumores com defeito de recombinação homóloga, como os associados a mutações BRCA. Na prática, ele é indicado justamente para esse cenário de câncer de mama HER2 negativo com mutação BRCA, o que torna a alternativa E a correta. As demais opções parecem plausíveis, mas pertencem a outros contextos: trastuzumabe é anti-HER2, tamoxifeno e anastrozol são hormonioterápicos, e abemaciclibe é um inibidor de CDK4/6 usado sobretudo em doença hormônio-positiva. Aqui, a pista decisiva é a mutação BRCA com HER2 negativo, que faz o pensamento ir direto para PARP.

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