Uma paciente de 42 anos foi diagnosticada com glaucoma de ângulo aberto. O oftalmologista prescreveu pilocarpina após a consulta, objetivando reduzir a pressão intraocular e evitar danos ao nervo óptico. Com base no mecanismo de ação desse fármaco, assinale a afirmativa correta.
- A)A pilocarpina é um agonista dos receptores beta-adrenérgicos, resultando em uma redução da pressão intraocular no tratamento do glaucoma de ângulo aberto.
Errada, porque a pilocarpina não é agonista beta-adrenérgica; ela atua em receptores muscarínicos.
- B)A pilocarpina é um antagonista dos receptores muscarínicos, levando à dilatação da pupila e ao aumento da pressão intraocular no tratamento do glaucoma de ângulo aberto.
Errada, porque antagonismo muscarínico causaria midríase e aumento da pressão intraocular, ou seja, o oposto do objetivo terapêutico.
- C)A pilocarpina é um antagonista dos receptores beta-adrenérgicos, promovendo a contração do esfíncter da íris e do músculo ciliar, reduzindo a pressão intraocular no tratamento do glaucoma de ângulo aberto.
Errada, porque a pilocarpina não é antagonista beta-adrenérgica e, além disso, o efeito descrito corresponde a ação colinérgica muscarínica.
- D)A pilocarpina é um agonista dos receptores muscarínicos, promovendo a contração do esfíncter da íris e do músculo ciliar, reduzindo a pressão intraocular no tratamento do glaucoma de ângulo aberto.
Certa, pois a pilocarpina é agonista muscarínico e promove miose e contração do músculo ciliar, favorecendo a drenagem do humor aquoso e reduzindo a pressão intraocular.
- E)A pilocarpina não possui atividade farmacológica relevante no tratamento do glaucoma de ângulo aberto, sendo apenas utilizada para o controle de sintomas autonômicos.
Errada, porque a pilocarpina tem atividade farmacológica relevante no glaucoma de ângulo aberto e é usada justamente para reduzir a pressão intraocular.
Gabarito: D
A pilocarpina é um fármaco colinérgico, isto é, ela imita a ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos. No olho, isso é útil porque provoca miose, ou seja, contração do esfíncter da íris, e também contrai o músculo ciliar. Parece detalhe anatômico, mas faz toda a diferença no glaucoma de ângulo aberto: essa contração facilita a drenagem do humor aquoso pela rede trabecular e ajuda a reduzir a pressão intraocular. Em outras palavras, a pilocarpina não age bloqueando nada, nem mexendo com beta-adrenérgicos. Ela estimula receptores muscarínicos, sobretudo M3, gerando o efeito ocular desejado. Por isso, a ideia central da questão é ligar mecanismo de ação com efeito clínico: mais drenagem, menos pressão, menos risco de dano ao nervo óptico. O gabarito é a letra D porque descreve exatamente esse mecanismo: agonista muscarínico que contrai o esfíncter da íris e o músculo ciliar, favorecendo o escoamento do humor aquoso. É o tipo de associação que a FGV adora cobrar: receptor certo, efeito certo e consequência clínica certa, sem truque escondido. Resumo de prova: pilocarpina = muscarínico + miose + contração do músculo ciliar + redução da pressão intraocular. Se aparecer beta-adrenérgico, antagonista ou midríase, pode desconfiar na hora.