De acordo com as Diretrizes para Gerenciamentos de Risco em Farmacovigilância, publicadas pela ANVISA, entre os eventos adversos abaixo, assinale o que deve ser considerado com maior prioridade para a notificação pelos profissionais da saúde.
- A)Episódio de náusea após o uso de um medicamento isento de prescrição, que cessou logo após suspensão.
Errada, porque náusea leve e autolimitada após suspensão costuma ter menor prioridade de notificação do que eventos graves.
- B)Prurido após o uso de morfina.
Errada, pois prurido isolado após morfina pode representar reação adversa, mas não tem a gravidade que define maior prioridade.
- C)Tosse seca autolimitada com o uso de um medicamento recém-lançado no mercado.
Errada, porque tosse seca autolimitada, apesar de em medicamento novo merecer atenção, não supera um evento grave com internação.
- D)Hepatite medicamentosa grave que levou à internação hospitalar após o uso de um medicamento conhecidamente hepatotóxico.
Certa, porque hepatite medicamentosa grave com internação é evento adverso sério e deve ter prioridade máxima na notificação.
- E)Alopecia não descrita em bula após o uso de um fitoterápico.
Errada, porque alopecia sem descrição em bula pode ser inesperada, mas a prioridade regulatória é maior nos eventos graves.
Gabarito: D
Em farmacovigilância, a regra de ouro é simples: quanto mais grave, inesperado ou relevante para a saúde pública, maior a prioridade de notificação. As Diretrizes para Gerenciamento de Risco em Farmacovigilância da ANVISA valorizam especialmente eventos adversos graves, como aqueles que levam à internação, ameaça à vida, incapacidade importante ou morte. Não é hora de “deixar para depois”: esses casos entram no radar primeiro. Na prática, isso significa que o profissional de saúde deve dar atenção máxima aos eventos que exigem intervenção hospitalar, mesmo quando o medicamento já tenha histórico de causar aquele tipo de reação. O fato de um fármaco ser conhecidamente hepatotóxico não reduz a importância da notificação; ao contrário, um caso grave ajuda a monitorar a segurança do uso real e a identificar perfil de risco, frequência e gravidade. Por isso, o gabarito é a letra D. Uma hepatite medicamentosa grave, com internação hospitalar, é evento adverso sério e deve ser notificada com prioridade. Em farmacovigilância, grave não é sinônimo de raro, e conhecido não é sinônimo de dispensável. A ANVISA trabalha justamente com essa lógica de vigilância contínua para proteger o paciente e aperfeiçoar o uso de medicamentos. Resumo de prova: suspeitou de reação grave? Notifica. Levou à internação? Mais ainda. Se mexe com fígado, então, o sinal vermelho acende sem cerimônia.