A respeito da farmacologia dos antiácidos, assinale a afirmativa correta.
- A)O bicarbonato de sódio é um eficiente antiácido devido à sua capacidade de neutralizar a acidez. Seu uso é seguro e indicado, inclusive para indivíduos com comorbidades como insuficiência cardíaca ou renal.
Errada: o bicarbonato de sódio é absorvido, pode causar alcalose e sobrecarga de sódio, sendo inadequado em insuficiência cardíaca ou renal.
- B)O uso prolongado de antiácidos pode levar à redução da absorção de fosfato, resultando em uma deficiência clínica que se manifesta por meio de sintomas como desconforto, fraqueza muscular e osteomalácia.
Certa: o uso prolongado de antiácidos pode reduzir a absorção de fosfato e causar hipofosfatemia, fraqueza muscular e osteomalácia.
- C)Os antiácidos variam quanto ao seu grau de absorção e, portanto, nos seus efeitos sistêmicos. Os antiácidos que contêm Al3+, Ca2+ ou Mg2+ são mais absorvidos comparados aos que contêm NaHCO3 .
Errada: NaHCO3 é mais absorvido e tem mais efeito sistêmico do que antiácidos de alumínio, cálcio ou magnésio, que agem mais localmente.
- D)Os antiácidos que contêm alumínio e hidróxido de magnésio são particularmente úteis em pacientes em tratamento de hanseníase por clofazimina, pois não afetam a absorção sistêmica do fármaco.
Errada: antiácidos com alumínio e magnésio podem sim interferir na absorção de vários fármacos, então não são neutros para a clofazimina.
- E)O dasatinibe é bem absorvido após administração oral. A exemplo de outros inibidores da BCR-ABL cinase, a biodisponibilidade do dasatinibe não é afetada ou reduzida pelo uso de antiácidos ou pela presença de alimentos.
Errada: o dasatinibe tem absorção prejudicada por antiácidos e alimentos, pois sua biodisponibilidade depende do pH gástrico.
Gabarito: B
Os antiácidos funcionam de modo simples: eles neutralizam o ácido do estômago e aliviam sintomas como azia e queimação. Só que nem todo antiácido é igual, e a diferença entre eles importa muito na prova e na vida real. Alguns são pouco absorvidos e agem mais localmente, enquanto outros, como o bicarbonato de sódio, são absorvidos e podem causar efeito sistêmico relevante. O bicarbonato de sódio até neutraliza bem a acidez, mas o problema é o preço dessa rapidez: ele pode gerar carga de sódio e alcalose metabólica, o que o torna ruim para quem tem insuficiência cardíaca, renal ou restrição de sódio. Então, afirmar que seu uso é seguro nesses pacientes é erro clássico de farmacologia básica. Já o uso prolongado de antiácidos, especialmente os que interferem na absorção intestinal, pode reduzir a absorção de fosfato e levar à hipofosfatemia. Isso pode aparecer como fraqueza muscular, mal-estar e, em casos mais prolongados, osteomalácia. Essa é justamente a lógica da alternativa B: menos fosfato disponível, pior mineralização óssea e sintomas clínicos compatíveis. Outro ponto frequente é a interação medicamentosa. Antiácidos com alumínio, magnésio ou cálcio podem diminuir a absorção de vários fármacos, porque alteram o pH e podem quelar medicamentos. Por isso, a banca adora trocar os papéis e fazer parecer que esses produtos são inocentes, quando na verdade muitas vezes atrapalham a biodisponibilidade de remédios importantes.