O tratamento contra o câncer é realizado mediante utilização de antineoplásicos de diferentes classes farmacológicas, que devem ter suas doses calculadas com precisão para que sejam evitadas toxicidades desnecessárias que comprometam a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. As doses dos quimioterápicos podem ser calculadas de diferentes formas, ambas visando à redução da variabilidade de exposição entre os pacientes e diminuição de efeitos adversos. A fórmula que considera a função renal (mediante valor da taxa de filtração glomerular), utilizada no cálculo da dose do quimioterápico carboplatina, é a
- A)Dubois e Dubois.
Dubois e Dubois é uma fórmula de cálculo de superfície corporal, não é a usada especificamente para ajustar carboplatina pela função renal.
- B)Gehan e George.
Gehan e George também é fórmula relacionada à estimativa de superfície corporal, e não ao cálculo de dose de carboplatina por TFG.
- C)Mosteller.
Mosteller é uma fórmula simples para superfície corporal, útil em ajustes de dose em oncologia, mas não é a fórmula de carboplatina.
- D)Calvert.
Correta: Calvert é a fórmula clássica usada para calcular a dose de carboplatina com base na função renal e na TFG.
- E)Thompson.
Thompson não é a fórmula tradicionalmente cobrada para o cálculo de carboplatina; a banca espera a associação com Calvert.
Gabarito: D
Em quimioterapia, a dose não é escolhida no “olhômetro”, porque a janela terapêutica costuma ser estreita e pequenas variações podem aumentar muito a toxicidade. Por isso, alguns antineoplásicos têm a dose ajustada por fórmulas que usam dados do paciente, como superfície corporal ou função renal, para reduzir a variabilidade entre indivíduos. No caso da carboplatina, o ponto central é a função renal. Esse fármaco tem sua dose calculada pela fórmula de Calvert, que usa a taxa de filtração glomerular (ou depuração de creatinina, em algumas apresentações da fórmula) para estimar a área sob a curva desejada e, assim, ajustar a dose com mais segurança. A lógica é simples: quanto pior a função renal, menor a eliminação do medicamento, maior a exposição e maior o risco de toxicidade, especialmente mielossupressão. Então a dose precisa acompanhar essa capacidade de depuração, e não apenas o peso ou a altura do paciente. Na prova, isso aparece com uma cara bem clássica de banca: citar um quimioterápico e pedir a fórmula relacionada. Aqui, carboplatina puxa imediatamente a fórmula de Calvert, então o gabarito D está correto.