Um paciente é admitido no hospital com um sangramento grave. Antes da internação, ele utilizava clopidogrel por prescrição médica, mas o médico que o está assistindo no hospital optou por não prescrever o medicamento neste momento. Do ponto de vista da conciliação de medicamentos, esta situação configura
- A)um erro de medicação.
Errada, porque não há indicação de falha na dispensação, prescrição ou administração, e sim uma decisão clínica consciente.
- B)uma discrepância não intencional.
Errada, porque discrepância não intencional ocorre quando o medicamento é omitido por engano, sem justificativa clínica.
- C)uma discrepância intencional.
Certa, pois a suspensão do clopidogrel foi uma escolha deliberada diante do sangramento grave, caracterizando discrepância intencional.
- D)uma falha terapêutica.
Errada, porque falha terapêutica se refere à falta de efeito do tratamento, e não à decisão de suspender um medicamento.
- E)um problema de adesão à farmacoterapia.
Errada, porque o problema descrito não é de adesão do paciente em casa, mas uma mudança feita pela equipe no hospital.
Gabarito: C
Na conciliação de medicamentos, o objetivo é comparar o que o paciente usava antes da internação com o que foi prescrito no hospital, para identificar diferenças e entender se elas foram planejadas ou não. Nem toda mudança é erro: às vezes o médico suspende, troca ou ajusta um remédio de propósito por causa do quadro clínico. Aqui, o paciente usava clopidogrel, mas foi internado com sangramento grave. Nesse contexto, não prescrever o medicamento faz sentido clínico, porque manter um antiagregante plaquetário poderia piorar a hemorragia. Como a omissão foi deliberada e baseada na condição atual do paciente, trata-se de uma discrepância intencional. Em outras palavras: o medicamento sumiu da lista, mas não por esquecimento, e sim porque alguém decidiu, com justificativa, que ele não deveria ser mantido naquele momento.