A anemia por carência de ferro é o distúrbio nutricional mais recorrentes no mundo. Uma das causas da anemia ferropriva é a absorção ou ingesta de ferro de maneira inadequada. Para o tratamento dessa condição, utiliza-se a reposição de ferro. Com relação a esse tratamento, assinale a afirmativa correta.
- A)A terapia com ferro parenteral é o tratamento de escolha para essa condição.
Errada, porque a terapia parenteral não é a escolha inicial na maioria dos casos; a via oral costuma ser a primeira opção.
- B)A terapia oral com sulfato ferroso tem como principais efeitos adversos: náuseas, desconforto gástrico e diarreia ou prisão de ventre. Por esses motivos não é considerada a primeira opção de tratamento.
Errada, porque o sulfato ferroso oral realmente causa efeitos gastrointestinais, mas isso não o exclui da primeira linha de tratamento.
- C)O principal efeito adverso da terapia com ferro oral é a ocorrência de reação anafilática que pode ser fatal.
Errada, porque reação anafilática grave é preocupação da via parenteral, não do ferro oral.
- D)A administração intramuscular de ferro dextran é o tratamento de escolha na deficiência de ferro.
Errada, porque a administração intramuscular de ferro dextran não é o tratamento de escolha e não é a via preferida na prática.
- E)O sucesso do tratamento da anemia por deficiência de ferro é determinado pela taxa de recuperação da hemoglobina e a avaliação da reserva de ferro.
Certa, porque o tratamento eficaz deve normalizar a hemoglobina e também recompor as reservas de ferro do organismo.
Gabarito: E
A anemia ferropriva acontece quando falta ferro para produzir hemoglobina de forma adequada. Na prática, o tratamento costuma começar com reposição de ferro por via oral, especialmente com sais ferrosos, porque é simples, barato e eficaz na maioria dos casos. Os efeitos adversos mais comuns dessa via são gastrointestinais, como náuseas, dor/desconforto abdominal, diarreia ou constipação. A via parenteral fica reservada para situações específicas, como intolerância importante, má absorção, necessidade de reposição mais rápida ou falha da terapia oral. O ponto central da questão está em como avaliar se o tratamento funcionou. Não basta olhar apenas se a hemoglobina subiu. O sucesso terapêutico também envolve recuperar os estoques de ferro do organismo, ou seja, reabastecer a reserva de ferro, geralmente avaliada por parâmetros laboratoriais como ferritina e saturação de transferrina. A hemoglobina pode melhorar primeiro, mas se a reserva não for corrigida, o problema pode voltar rapidinho. Por isso, a alternativa E está correta: o tratamento é considerado bem-sucedido quando há recuperação da hemoglobina e também reposição adequada das reservas de ferro. Em outras palavras, você não quer só “apagar o incêndio”, quer também encher o extintor para ele não pegar fogo de novo. Esse é o raciocínio clínico cobrado em Farmácia Hospitalar e Comunitária. Como apoio doutrinário, a conduta é compatível com as recomendações usuais de hematologia e farmacoterapia: monitorar resposta hematológica e repleção dos estoques de ferro. Em prova, desconfie de alternativas que exageram a via parenteral como primeira escolha ou que tratam reações graves como se fossem comuns no ferro oral.