Em relação às diferentes vias de administração e à farmacocinética, assinale a afirmativa correta.
- A)As propriedades físico-químicas de um fármaco não interferem da biodisponibilidade quando administrado por via oral.
Errada, porque as propriedades físico-químicas interferem diretamente na biodisponibilidade por via oral.
- B)O efeito de primeira passagem alterar mais a biodisponibilidade de um fármaco administrado por via intravenosa do que por via oral.
Errada, porque o efeito de primeira passagem não altera a via intravenosa, já que nela o fármaco entra direto na circulação sistêmica.
- C)A administração de fármacos por via sublingual e a absorção nesse mesmo local sofre o efeito de primeira passagem.
Errada, porque a via sublingual evita o efeito de primeira passagem hepática na absorção local.
- D)A administração subcutânea de um fármaco geralmente é constante e rápida para a produção de um efeito imediato.
Errada, porque a via subcutânea costuma ter absorção mais lenta e variável, não sendo geralmente constante e rápida para efeito imediato.
- E)A absorção transdérmica pode ser ampliada pela suspensão do fármaco em um veículo oleoso.
Certa, porque um veículo oleoso pode favorecer a absorção transdérmica ao melhorar a permanência e a penetração do fármaco pela pele.
Gabarito: E
Quando o assunto é via de administração, o ponto-chave é lembrar que cada caminho muda a velocidade de absorção, a quantidade que realmente chega ao sangue e até a chance de o fármaco ser “destruído” antes de fazer efeito. Na via oral, por exemplo, a absorção depende muito das características físico-químicas do medicamento, do pH, da formulação e da presença de alimentos. Já na via intravenosa, o fármaco entra direto na circulação, então sua biodisponibilidade é praticamente total e não existe efeito de primeira passagem. O efeito de primeira passagem acontece principalmente quando o fármaco é absorvido no trato gastrointestinal e segue pela veia porta até o fígado antes de cair na circulação sistêmica. Por isso, vias como oral sofrem esse efeito, enquanto vias como intravenosa, sublingual, transdérmica e, em geral, subcutânea não passam por esse “filtro hepático inicial” da mesma forma. Na via transdérmica, a absorção atravessa a pele, que é uma barreira importante. Para melhorar essa passagem, a formulação importa muito: veículos oleosos podem aumentar a permanência do fármaco em contato com a pele e favorecer sua penetração, especialmente quando o princípio ativo é lipossolúvel. Ou seja, a forma farmacêutica não é detalhe de laboratório, é parte do efeito final. Por isso o gabarito está na alternativa E: a absorção transdérmica pode, sim, ser ampliada com suspensão do fármaco em veículo oleoso, porque isso favorece a difusão pela pele. As demais alternativas erram conceitos básicos de biodisponibilidade, primeira passagem e velocidade de ação. Em prova, a banca adora inverter os caminhos do fármaco e testar se você confunde “absorção” com “efeito imediato”.