A toxicologia clínica trata de casos nos quais os indivíduos desenvolvem doenças causadas ou associadas a substâncias tais como fármacos ou pesticidas agrícolas. A intoxicação pode ocorrer em indivíduos saudáveis que fazem mau uso ou uso abusivo de fármacos. Nesse contexto, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Na emergência médica, em pacientes com intoxicação aguda por fármacos, a prioridade é manter as funções vitais tais como a respiração e a circulação do paciente em questão.
Correta, porque na intoxicação aguda a prioridade é estabilizar funções vitais, especialmente respiração e circulação.
- B)A exposição crônica a uma substância química pode levar a efeitos tóxicos cumulativos decorrentes do contato a longo prazo com baixas concentrações.
Correta, porque exposições repetidas e prolongadas podem causar toxicidade cumulativa mesmo em baixas doses.
- C)Os fármacos podem ser metabolizados gerando substâncias quimicamente estáveis que são conhecidas como intermediários reativos, podendo levar a situações de intoxicação; como exemplo, o metabólito do paracetamol levando a destruição das células hepáticas.
Incorreta, porque o paracetamol gera um metabólito reativo e tóxico, e não um intermediário reativo descrito como quimicamente estável.
- D)Os efeitos tóxicos do herbicida paraquat ocorrem devido às espécies reativas de oxigênio formadas durante a reação entre o agrotóxico e o O2, com capacidade de produzir lesão pulmonar grave.
Correta, porque o paraquat produz espécies reativas de oxigênio e pode causar grave lesão pulmonar.
- E)Interações farmacológicas e tóxicas, entre duas ou mais substâncias químicas, podem ter diferentes classificações, tais como: aditiva, sinérgica, potencialização e antagonista.
Correta, porque interações entre substâncias podem ser aditivas, sinérgicas, de potencialização ou antagônicas.
Gabarito: C
A toxicologia clínica estuda, na prática, o que acontece quando uma substância vira problema para o organismo, seja por dose excessiva, uso indevido, exposição ocupacional ou contato acidental. Em emergência, a lógica é simples: primeiro salva-se a vida, depois se investiga o agente. Por isso, manter via aérea, respiração e circulação é sempre prioridade no paciente intoxicado agudo. Outro ponto clássico é que toxicidade nem sempre aparece de uma vez. Exposições crônicas, mesmo em baixas concentrações, podem produzir efeitos cumulativos, porque o corpo vai somando dano ao longo do tempo. Já algumas substâncias geram metabólitos muito mais tóxicos do que o composto original, e é aí que mora a pegadinha de prova. No caso do paracetamol, o problema não é formação de um intermediário "quimicamente estável". O fármaco é metabolizado e uma pequena parte vira um metabólito reativo, o NAPQI, que em excesso consome glutationa e leva à lesão hepática. Ou seja, o enunciado erra justamente ao chamar esse intermediário de estável. Em toxicologia, isso faz toda a diferença: estável não é sinônimo de perigoso, e aqui o perigo vem da reatividade. A questão também cobra relações entre substâncias, como adição, sinergismo, potencialização e antagonismo. Essa é a cara da FGV: misturar conceitos corretos com uma palavra que derruba tudo. Então, na leitura, vale ir caçando o termo que não combina com o restante da frase.