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Farmácia · FGV · 2023

Questão comentada de Farmácia

TML é uma paciente de 9 anos, com peso corporal igual a 23kg e 1,24m de altura, que possui fibrose cística e foi internada para tratamento de infecção pulmonar. Ela está em uso de vancomicina 350mg a cada 6 horas. O resultado da cultura indicou crescimento de Staphylocococcus aureus resistente a oxacilina (concentração inibitória mínima - CIM = 1mg/L). Apresentou creatinina 0,3mg/dL (basal), PCR 107mg/dL e leucocitose. O farmacêutico clínico que realizava o monitoramento terapêutico de medicamentos dessa criança verificou que a vancocinemia foi igual a 21mg/L na primeira coleta (3h após o início da infusão) e 14mg/L na segunda coleta de sangue (5h após o início da infusão). Com estes dados, o farmacêutico calculou a constante de eliminação (k), a concentração máxima (pico), a concentração mínima (vale) e a área sob a curva (ASC0-24): • K = 0,020h-1 • Pico = 31,5mg/L • Vale = 11,5mg/L • ASC0-24 = 482mg.h/L Considere que o parâmetro para otimização da efetividade e segurança da vancomicina é de uma ASC0-24/CIM entre 400 e 600. Com base nas informações acima, assinale a opção que indica o parecer adequado do farmacêutico hospitalar.

Gabarito: E

Nesta questão, o ponto central é entender que a vancomicina não deve ser ajustada olhando só para um número isolado de concentração, mas sim para o alvo farmacodinâmico, que aqui é a relação ASC0-24/CIM. Em pediatria, especialmente em infecção grave por Staphylococcus aureus resistente a oxacilina, o objetivo costuma ser manter esse índice entre 400 e 600 para equilibrar eficácia e segurança. O dado já foi calculado pelo farmacêutico: ASC0-24 de 482 mg.h/L e CIM de 1 mg/L. Logo, a relação ASC0-24/CIM é 482, que cai exatamente dentro da faixa terapêutica desejada. Traduzindo para a prática: o antibiótico está entregando o efeito esperado, sem sinal de subdose nem de excesso que justificasse ajuste imediato. Além disso, os valores de pico e vale também não sugerem um problema evidente no esquema apresentado. O vale de 11,5 mg/L não é baixo a ponto de sugerir falha, e a estimativa de exposição global já está adequada. Então, o farmacêutico hospitalar faz o que a boa farmacoterapia manda: não mexe no que já está funcionando. Por isso, a conduta correta é manter a dose da vancomicina. Em questões de monitoramento terapêutico, a banca gosta de testar se você sabe que o alvo não é “subir ou descer por reflexo”, mas ajustar com base na exposição total e na CIM do microrganismo.

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