Pacientes adultos e pediátricos, com diagnósticos de neoplasias sólidas e hematológicas, podem ser acometidos por um tipo específico de toxicidade hematológica, quando submetidos à quimioterapia. Os sinais clínicos dessa complicação incluem baixa contagem de neutrófilos circulantes, febre acima de 37,8oC e possibilidade de infecções por bactérias multirresistentes, que levam à necessidade de farmacoterapia antibiótica empírica o mais breve possível ao diagnóstico, seguida da confirmação do agente etiológico e da definição da esquema terapêutico, após a realização do antibiograma. Frente ao quadro clínico descrito acima, as opções terapêuticas farmacológicas de destaque na prática clínica oncológica, são
- A)filgrastima e hemotransfusão.
Errada: filgrastima até faz parte do manejo da neutropenia, mas hemotransfusão não é a associação farmacológica padrão para neutropenia febril.
- B)romiplostim e lipegfilgrastima.
Errada: lipegfilgrastima é G-CSF, mas romiplostim é usado para trombocitopenia, não para o problema descrito.
- C)eritropoetina e pegfilgrastima.
Errada: eritropoetina atua em anemia, embora pegfilgrastima seja um G-CSF, então a dupla não corresponde ao quadro.
- D)eltrombopague e alfadarbepoetina.
Errada: eltrombopague e alfadarbepoetina são fármacos voltados principalmente para plaquetas e anemia, não para neutropenia.
- E)filgrastima e lipegfilgrastima.
Certa: filgrastima e lipegfilgrastima são fatores estimuladores de colônia de granulócitos usados para prevenir e tratar neutropenia associada à quimioterapia.
Gabarito: E
O quadro descrito é o de neutropenia febril, uma complicação clássica da quimioterapia. A ideia central aqui é simples: a queda importante dos neutrófilos deixa o paciente muito vulnerável a infecções, e a febre já acende o alerta para iniciar antibiótico empírico rapidamente, sem esperar a cultura virar novela. Na prática oncológica, além do antibiótico, as drogas de destaque para prevenção e manejo da neutropenia são os fatores estimuladores de colônia de granulócitos, os G-CSFs. Eles aceleram a produção de neutrófilos na medula óssea e ajudam a reduzir a duração e a gravidade da neutropenia. É por isso que o gabarito é a letra E: filgrastima e lipegfilgrastima. As duas pertencem ao grupo dos G-CSFs. A filgrastima é a forma de ação curta, enquanto a lipegfilgrastima é uma formulação de ação prolongada, usada de forma muito parecida na prática clínica, especialmente em esquemas com risco de neutropenia febril. Vale guardar o raciocínio de prova: se a questão fala em neutropenia febril, pense em antibiótico empírico imediato e em G-CSF. Já medicamentos como eritropoetina, darbepoetina, romiplostim e eltrombopague entram em outros cenários, principalmente anemia ou trombocitopenia, não nesse quadro.