A farmacotécnica dos antineoplásicos é bastante complexa e deve ser realizada por farmacêuticos experientes e devidamente qualificados em razão dos inúmeros riscos aos pacientes. Um exemplo típico de risco relacionado à manipulação é observado na escolha da bolsa para diluição do paclitaxel, que deve ser isenta da presença do polímero PVC (policloreto de vinila). O contato de um excipiente encontrado em diferentes formulações contendo paclitaxel promove a lixiviação de um metabólito que pode causar toxicidade endócrina, testicular, ovariana, renal, hepática, cardíaca, entre outras. Assinale a opção que apresenta o nome do metabólito formado.
- A)PEG – polietilenoglicol.
Incorreta: PEG é um polímero amplamente usado em formulações, mas não é o plastificante lixiviado do PVC relacionado ao paclitaxel.
- B)DEHP – ftalato de di-2-etilexila.
Correta: o DEHP é o ftalato plastificante do PVC que pode ser lixiviado para a solução e causar toxicidade sistêmica.
- C)Cremophor EL – óleo de rícino polietoxilado.
Incorreta: Cremophor EL é o excipiente/veículo do paclitaxel, não o composto liberado pela bolsa de PVC.
- D)SLES – lauril éter sulfato de sódio.
Incorreta: SLES é um tensoativo de uso cosmético e industrial, sem relação com a lixiviação do PVC nessa situação.
- E)SLS – lauril sulfato de sódio.
Incorreta: SLS também é um tensoativo, mas não tem papel no problema de compatibilidade entre paclitaxel e bolsa de PVC.
Gabarito: B
O paclitaxel é um antineoplásico famoso não só pela ação, mas também pela “cautela extra” na manipulação. Isso porque ele vem formulado com Cremophor EL, um veículo que pode se associar a materiais de embalagem e favorecer a liberação de substâncias indesejadas. Em prova, a palavra-chave costuma ser PVC: se a bolsa contém policloreto de vinila, há risco de lixiviação de compostos plastificantes para a solução. O ponto central aqui é o DEHP, sigla de ftalato de di-2-etilexila. Esse é um plastificante usado no PVC e pode migrar para a formulação quando há contato com soluções compatíveis com a extração desse composto. O problema não é só “químico chato de laboratório”: o DEHP está associado a toxicidade endócrina, testicular, ovariana, renal, hepática e cardíaca, entre outras. Por isso, a diluição do paclitaxel deve ser feita em bolsa isenta de PVC, justamente para evitar essa contaminação por lixiviação. Em farmacologia e farmacotécnica, esse tipo de detalhe cai muito porque mistura medicamento, excipiente e material de acondicionamento. É a famosa prova dizendo: “não basta saber o remédio, tem que saber a embalagem também”. Assim, o gabarito é a letra B, pois o metabólito/substância lixiviada relacionada ao PVC é o DEHP. O Cremophor EL é o veículo do paclitaxel, mas não é o plastificante do PVC; quem aparece como problema tóxico na bolsa é o ftalato liberado do material.