Segundo o Ministério da Saúde, o estado do Maranhão é considerado uma região endêmica para malária no país. Casos de malária causados por Plasmodium falciparum têm maior probabilidade de desenvolver casos mais graves e letais do que os de malária por Plasmodium vivax ou Plasmodium ovale. Os antimaláricos utilizados no tratamento dessas infecções parasitárias podem apresentar protocolos diferenciados de acordo com a espécie, sendo o tratamento baseado na confirmação laboratorial da infecção. O tratamento da malária visa a atingir o parasito em diferentes pontos do seu ciclo evolutivo. A respeito do tema, assinale a afirmativa correta.
- A)Para o tratamento da malária por Plasmodium falciparum, usa-se a combinação de cloroquina e primaquina, com o objetivo de erradicar tanto a forma sanguínea quanto os hipnozoítos no tecido hepático.
Errada, porque P. falciparum não é tratado com cloroquina e primaquina como regra, e não há hipnozoítos hepáticos nesse parasito.
- B)Nos casos de malária complicada, causadas por Plasmodium falciparum ou Plasmodium vivax, a recomendação de tratamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) é utilizar artesunato por via oral por no mínimo 24h.
Errada, porque malária complicada exige tratamento parenteral, e não artesunato por via oral por no mínimo 24 horas.
- C)A cloroquina usada no tratamento da malária é a hidroxicloroquina.
Errada, porque cloroquina não é hidroxicloroquina; são fármacos diferentes, embora relacionados.
- D)A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, para o tratamento com terapia combinada da malária por P. falciparum, os seguintes fármacos: artemeter/lumefantrina ou artesunato/mefloquina.
Certa, porque a OMS recomenda terapia combinada à base de artemisinina para malária por P. falciparum, como artemeter/lumefantrina ou artesunato/mefloquina.
- E)A primaquina deve ser usada por todas as pessoas com diagnóstico de malária por Plasmodium vivax, sem exceção, para prevenir as recaídas frequentes.
Errada, porque a primaquina não é usada indiscriminadamente em todas as pessoas, já que há contraindicações importantes, como deficiência de G6PD e gestação.
Gabarito: D
A malária é um ótimo exemplo de doença em que a espécie do parasito muda tudo no tratamento. Isso acontece porque Plasmodium falciparum costuma ser mais agressivo e, além disso, apresenta muita resistência a esquemas antigos, enquanto P. vivax e P. ovale podem formar hipnozoítos no fígado, o que favorece recaídas. Na prática, o tratamento tenta atingir o parasito em fases diferentes do ciclo: a fase sanguínea, que causa os sintomas, e, quando existe, a fase hepática latente. Por isso, em malária por P. vivax e P. ovale, usa-se geralmente um esquema com cloroquina para a fase sanguínea e primaquina para eliminar formas hepáticas latentes, sempre com atenção a contraindicações como deficiência de G6PD e gestação. Já na malária por P. falciparum, o recomendado pela OMS é terapia combinada baseada em artemisinina, justamente para reduzir falha terapêutica e resistência. Exemplos clássicos são artemeter/lumefantrina e artesunato/mefloquina, entre outros esquemas equivalentes conforme o cenário epidemiológico. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. E um detalhe importante para prova: malária grave não é caso de comprimido “por via oral e torcer para dar certo”. O tratamento da forma complicada exige antimalárico parenteral, como artesunato intravenoso, e depois continuidade por via oral quando houver melhora clínica. Em questões de FGV, a banca adora trocar espécie, fármaco e via de administração para ver quem escorrega.