Um hospital tinha o omeprazol em sua lista de medicamentos padronizados. No entanto, uma parcela importante dos pacientes utilizava clopidogrel, que pode apresentar importante interação com o omeprazol, resultando em redução importante do efeito antiagregante plaquetário daquele fármaco. Analise as afirmativas a seguir que apresentam as possibilidades de encaminhamento desta situação dentro do escopo de atribuições da Comissão de Farmácia e Terapêutica. I. Selecionar um antagonista dos receptores histamínicos H2 para incorporar lista de padronizados, como opção terapêutica. II. Incorporar à lista de padronizados um segundo inibidor de bombas de prótons que não apresente esta interação, restringindo a prescrição deste fármaco apenas aos pacientes que estiverem usando clopidogrel. III. Substituir o omeprazol na lista de medicamentos padronizados por um outro inibidor de bombas de prótons que não apresente esta interação. Está correto o que se afirma em
- A)II e III, apenas.
Errada, porque as afirmativas I, II e III estão corretas, não apenas II e III.
- B)I, II e III.
Certa, porque todas as três alternativas representam medidas possíveis e adequadas da Comissão de Farmácia e Terapêutica diante da interação entre omeprazol e clopidogrel.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque a afirmativa II também está correta, já que a comissão pode incorporar uma alternativa mais segura e até restringir seu uso ao grupo indicado.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque a afirmativa III também está correta, e a comissão pode sim substituir o medicamento padronizado por outro mais apropriado.
- E)II, apenas.
Errada, porque a afirmativa I também é aceitável dentro das atribuições da comissão, e não apenas a II.
Gabarito: B
A Comissão de Farmácia e Terapêutica existe para racionalizar o uso de medicamentos no hospital, escolhendo alternativas seguras, eficazes e custo-efetivas. Quando aparece uma interação importante, como omeprazol com clopidogrel, a comissão pode agir na lista padronizada para reduzir risco ao paciente, em vez de simplesmente “deixar a prescrição correr solta”. Aqui o ponto central é que o omeprazol pode diminuir a ativação do clopidogrel e, com isso, reduzir seu efeito antiagregante. Então faz sentido avaliar opções terapêuticas equivalentes ou próximas, mas sem a interação problemática. A comissão pode tanto incorporar alternativas quanto substituir o fármaco padronizado, desde que preserve a qualidade do tratamento. A afirmativa I está correta porque um antagonista H2 pode ser uma alternativa para alguns pacientes que precisam de proteção gástrica e, nesse contexto, pode entrar como opção terapêutica na padronização. A afirmativa II também está correta porque a comissão pode incluir outro inibidor de bomba de prótons sem essa interação relevante e restringir seu uso ao grupo de pacientes que usa clopidogrel, organizando melhor a prescrição. A afirmativa III também está correta, pois substituir o omeprazol por outro IBP com menor risco de interação é exatamente o tipo de ajuste que a Comissão de Farmácia e Terapêutica pode fazer na gestão do elenco de medicamentos. Por isso, o gabarito é B: I, II e III. Em provas, a FGV gosta de testar essa ideia de que a padronização não é estática: ela existe para melhorar o cuidado, não para virar um “cardápio fixo” sem revisão.