Um fármaco pode ser definido como qualquer substância que altera a função biológica por meio de suas ações químicas. Na maioria dos casos, a molécula do fármaco interage como um agonista (ativador) ou antagonista (inibidor) com uma molécula específica no sistema biológico que desempenha uma função reguladora. A reatividade dos fármacos e as ligações fármaco-receptor ocorrem por meio de ligações químicas do tipo
- A)covalentes, eletrostáticas e hidrofóbicas.
Correta, pois as interações fármaco-receptor clássicas incluem ligações covalentes, eletrostáticas e hidrofóbicas.
- B)iônicas, eletrostáticas e hidrofílicas.
Errada, porque mistura termos que não correspondem à classificação usual das interações fármaco-receptor, além de substituir hidrofóbicas por hidrofílicas.
- C)iônicas, anfóteras e hidrofílicas.
Errada, pois 'anfóteras' descreve comportamento ácido-base, não um tipo de ligação fármaco-receptor.
- D)iônicas, coordenada e anfóteras.
Errada, porque 'coordenada' não é a categoria clássica cobrada aqui e 'anfóteras' novamente não representa ligação química de interação receptor-ligante.
- E)covalentes, eletrostáticas e hidrofílicas.
Errada, porque a interação hidrofílica não substitui a hidrofóbica na descrição clássica das ligações entre fármaco e receptor.
Gabarito: A
Na farmacologia, a ação de um fármaco depende de como ele se liga ao alvo biológico, geralmente um receptor, enzima ou canal iônico. Essa ligação não acontece por “cola química” forte o tempo todo: na maioria das vezes, ela é sustentada por interações reversíveis e fracas, que somadas garantem seletividade e afinidade. É exatamente por isso que a ligação fármaco-receptor costuma envolver vários tipos de forças ao mesmo tempo. As interações clássicas entre fármaco e receptor são as ligações covalentes, as interações eletrostáticas e as interações hidrofóbicas. As covalentes são mais fortes e, em geral, pouco reversíveis. As eletrostáticas incluem atração entre cargas opostas e são muito comuns. Já as hidrofóbicas ajudam o fármaco a se acomodar em regiões apolares da proteína, contribuindo para a estabilidade do complexo. A alternativa A está correta porque reúne exatamente esses três tipos de ligação/interação descritos na doutrina farmacológica. Em livros clássicos de farmacologia, como os de Katzung e Rang & Dale, esse é o trio mais cobrado quando se fala em interação fármaco-receptor. A banca adora trocar os nomes, mas aqui o essencial é reconhecer que ligação hidrofílica, anfótera ou coordenada não são a classificação esperada nesse contexto. Na prática, isso explica por que alguns fármacos se ligam de forma passageira e outros ficam “grudados” por mais tempo. Então, se a questão falar em reatividade do fármaco e ligação com receptor, pense logo em covalente, eletrostática e hidrofóbica. É o tipo de combinação que a farmacologia gosta de cobrar com cara de detalhe, mas coração de conceito básico.