Com relação ao tema de fármacos sedativo-hipnóticos, analise as afirmativas. I. A abstinência de um sedativo-hipnótico pode ter manifestações graves e potencialmente fatais e variam de individuo para indivíduo II. As interações medicamentosas que envolvem os sedativos-hipnóticos consistem em interações com outros agentes estimulantes do SNC, resultando em efeitos aditivos. III. Os benzodiazepínicos como o alprazolam e o midazolam, são utilizados para estados de ansiedade aguda, ataques de pânico, distúrbios do sono, de acordo com sua meia-vida no organismo. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa repete apenas a ideia da afirmativa I, que é verdadeira: a retirada de sedativos-hipnóticos pode causar síndrome de abstinência com ansiedade intensa, insônia rebote, convulsões e até risco de morte, e a intensidade varia conforme dose, tempo de uso e características do paciente. O problema é que a afirmativa III também procede ao relacionar benzodiazepínicos e uso clínico conforme a duração de ação, então o conjunto não fica restrito à I.
- B)II, somente.
A alternativa se apoia na afirmativa II, mas o conteúdo dela está invertido: as interações clinicamente importantes dos sedativos-hipnóticos costumam ocorrer com outros depressores do SNC, como álcool, opioides e anti-histamínicos, produzindo somação ou potencialização da sedação. Agentes estimulantes do SNC não geram esse efeito aditivo descrito; em regra, eles tendem a antagonizar a depressão central, não a aumentá-la.
- C)III, somente.
A alternativa toma por base a afirmativa III, que está correta ao lembrar que benzodiazepínicos têm perfis farmacocinéticos diferentes e seu uso clínico é influenciado pela meia-vida: alprazolam é clássico em ansiedade aguda e ataques de pânico, e fármacos de ação curta, como o midazolam, são úteis para sedação/hipnose de curta duração. O erro é de exclusividade, porque a afirmativa I também é verdadeira ao afirmar que a abstinência desses fármacos pode ser grave e até fatal.
- D)I e II, somente.
A alternativa reúne I e II. A afirmativa I está certa porque a suspensão de sedativos-hipnóticos pode desencadear abstinência com gravidade variável, enquanto a II erra ao falar em interação com estimulantes do SNC, quando o que importa clinicamente é a associação com depressores do SNC, que intensificam a sedação e podem deprimir a respiração.
- E)I e III, somente.
A alternativa reúne as duas afirmativas verdadeiras: a abstinência de sedativo-hipnóticos pode ser grave, com convulsões e risco de morte, e benzodiazepínicos como alprazolam e midazolam têm uso guiado pela duração de ação, o que ajuda a definir aplicações como ansiedade aguda, pânico e sedação/hipnose. A II fica fora porque descreve de forma incorreta a interação típica dessa classe, que é principalmente com outros depressores do SNC, e não com estimulantes.
Gabarito: E
Os fármacos sedativo-hipnóticos formam um grupo usado para reduzir ansiedade, promover sono e, em alguns casos, controlar agitação. O ponto mais cobrado em prova é que eles podem causar tolerância, dependência e abstinência, e essa retirada pode ser séria, com risco de convulsões, delirium e até morte em casos graves. Isso faz a afirmativa I estar correta, porque a síndrome de abstinência realmente pode variar muito de pessoa para pessoa e de acordo com dose, tempo de uso e perfil do paciente. Outro clássico é a interação medicamentosa. Aqui, a banca gosta de trocar os papéis: sedativo-hipnótico não interage com agente estimulante do SNC gerando efeito aditivo, mas sim com outros depressores do SNC, como álcool, opioides e alguns anti-histamínicos, potencializando sonolência e depressão respiratória. Por isso a afirmativa II está errada. Em farmacologia, o efeito aditivo costuma aparecer quando dois depressores são combinados, não quando o companheiro de dança é um estimulante. Já os benzodiazepínicos, como alprazolam e midazolam, têm usos ligados ao perfil farmacocinético e à meia-vida. Em termos práticos, o alprazolam é muito lembrado para ansiedade e ataques de pânico, enquanto o midazolam é bastante usado em situações de sedação e procedimentos, além de quadros agudos por ser de ação curta. A ideia da questão é que esses fármacos são escolhidos conforme a duração do efeito desejado, o que torna a afirmativa III correta. Assim, o gabarito E faz sentido porque apenas I e III se sustentam. Não há fundamento legal específico aqui, pois a matéria é essencialmente de farmacologia clínica e doutrina farmacológica.