A água é o solvente mais usado como veículo, em especialidades farmacêuticas. No entanto, pode ocorrer que a dissolução completa de todos os componentes de uma formulação, nas temperaturas normais de armazenamento, não possa ser garantida. Sobre os métodos para melhoria da solubilidade do fármaco, analise as afirmativas a seguir. I. Co-solvência e controle do pH. II. Utilização de solventes não-aquosos como óleos voláteis e dimetilsulfóxido para formulações de uso oral. III. Adição de tensoativos e complexação do fármaco. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa diz que somente a co-solvência e o controle do pH servem para aumentar a solubilidade. Esses dois recursos são, de fato, clássicos: o co-solvente reduz a polaridade do meio e o pH altera o grau de ionização de fármacos ácidos ou básicos. O problema é que a formulação também pode recorrer à adição de tensoativos e à complexação, que são métodos igualmente reconhecidos; por isso a resposta fica incompleta.
- B)I e III, somente.
A alternativa reúne co-solvência, controle do pH, adição de tensoativos e complexação, ou seja, exatamente os métodos consagrados para aumentar a solubilidade aparente de fármacos. O co-solvente e o pH atuam sobre a ionização e o equilíbrio de dissolução, enquanto tensoativos podem formar micelas e complexantes, como ciclodextrinas, aprisionam a molécula e favorecem sua dispersão. Ela acerta ao excluir a ideia de usar óleos voláteis e DMSO como solventes não aquosos de rotina para formulações orais, o que não é a prática usual nem a referência clássica em tecnologia farmacêutica.
- C)III, somente.
Aqui se afirma que apenas a adição de tensoativos e a complexação do fármaco são métodos de melhoria da solubilidade. Esses dois mecanismos realmente funcionam, porque os tensoativos solubilizam em micelas e a complexação aumenta a solubilidade aparente do princípio ativo. Porém co-solvência e controle do pH também são estratégias válidas e tradicionais, especialmente para fármacos fracamente ácidos ou básicos, então a alternativa estreita demais o conteúdo.
- D)I e II, somente.
A alternativa combina co-solvência e controle do pH com a utilização de solventes não aquosos, citando óleos voláteis e DMSO para uso oral. A primeira parte está correta, mas a segunda é o ponto fraco: não se trata de um exemplo clássico e seguro de estratégia oral, pois DMSO tem limitações toxicológicas e sensoriais, e óleos voláteis não são solventes gerais para esse fim. Além disso, a formulação ainda poderia empregar tensoativos e complexação, que ficaram de fora.
- E)II, somente.
Nesta opção, só a afirmação sobre solventes não aquosos para uso oral é tomada como verdadeira. O conteúdo é inadequado porque, embora haja solventes não aquosos em tecnologia farmacêutica, os exemplos dados não representam uma solução padrão para formulações orais, sobretudo pelo uso problemático de DMSO e pela natureza pouco compatível dos óleos voláteis como solventes gerais. Como co-solvência, controle do pH, tensoativos e complexação também são técnicas reconhecidas, a alternativa se apoia em uma premissa isolada e ainda por cima mal formulada.
Gabarito: B
Quando um fármaco tem baixa solubilidade, o formulador precisa “dar uma ajudinha” para ele ficar bem distribuído na preparação e não precipitar no frasco ou na cápsula. Entre as estratégias mais usadas estão a co-solvência, o ajuste do pH, o uso de tensoativos e a complexação, que aumentam a solubilidade de formas bem diferentes, mas com o mesmo objetivo: manter o medicamento estável e utilizável. A co-solvência funciona quando você adiciona um segundo solvente miscível com água, como álcool ou propilenoglicol, para melhorar a dissolução do fármaco. Já o controle do pH é muito útil para substâncias ionizáveis, porque altera o grau de ionização e, com isso, a solubilidade. Em farmácia industrial, esses são recursos clássicos de formulação e aparecem bastante em líquidos orais, gotas e soluções. A afirmativa II está errada porque solventes não aquosos, como óleos voláteis e dimetilsulfóxido, não são a escolha típica para formulações de uso oral. O DMSO, por exemplo, é mais lembrado pelo uso como solvente em aplicações específicas e pela preocupação toxicológica, e não como estratégia padrão para via oral. Já a afirmativa III está correta: tensoativos ajudam a solubilizar substâncias pouco solúveis, e a complexação, como com ciclodextrinas, também melhora bastante a dissolução. Por isso, o gabarito é B. Só ficam corretas as afirmativas I e III, que representam técnicas consagradas de melhoria de solubilidade na tecnologia farmacêutica.