A nanotecnologia farmacêutica é a área das ciências farmacêuticas envolvida no desenvolvimento, caracterização e aplicação de sistemas terapêuticos em escala nanométrica ou micrométrica. O estudo desses sistemas tem sido realizado com o objetivo de direcionar e controlar a liberação de fármacos. Sobre as vantagens potenciais das Formas Farmacêuticas de Liberação Modificada (FFLM), quando comparadas às Formas Farmacêuticas Convencionais (FFC), analise os itens a seguir. I. A menor flutuação dos níveis plasmáticos do fármaco. II. A redução da frequência de administração do medicamento. III. A redução no custo inicial das FFLM, por utilizar a mínima quantidade do fármaco para o efeito terapêutico desejado. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta, isto é, que as formas de liberação modificada tendem a manter níveis plasmáticos mais estáveis, com menos picos e vales ao longo do tempo. Esse ponto é verdadeiro e decorre do perfil de liberação controlada, que reduz as oscilações de concentração em comparação com formas convencionais. O erro está em excluir a afirmativa II, porque a redução da frequência de administração também é uma vantagem clássica dessas formulações.
- B)II, somente.
Aqui se afirma que somente a afirmativa II procede, ou seja, que uma vantagem das formas de liberação modificada é diminuir a quantidade de tomadas diárias. Essa é, de fato, uma vantagem real, porque a liberação prolongada permite intervalos maiores entre as doses e pode melhorar a adesão ao tratamento. O problema é que a afirmativa I também está correta, pois essas formas costumam reduzir as flutuações dos níveis plasmáticos, então a alternativa fica incompleta.
- C)III, somente.
Essa alternativa diz que apenas a afirmativa III está certa, defendendo que as formas de liberação modificada reduziram o custo inicial por usar a menor quantidade possível de fármaco para atingir o efeito desejado. Isso não corresponde ao conceito farmacotécnico: esses sistemas, em regra, têm desenvolvimento e produção mais complexos, o que costuma elevar o custo, e não existe uma regra geral de que usem a mínima quantidade do fármaco. Além disso, a vantagem terapêutica dessas formas está na modulação da liberação, não em baratear o produto inicial.
- D)II e III, somente.
A alternativa reúne as afirmativas II e III, ou seja, aponta corretamente a menor frequência de administração, mas acrescenta a ideia de redução de custo inicial por emprego da menor quantidade de fármaco. A primeira parte está certa, porque a liberação modificada é usada justamente para prolongar o efeito e espaçar as doses. A segunda parte é incorreta, pois essas formulações normalmente exigem tecnologia mais sofisticada e não têm, como regra, menor custo inicial nem menor quantidade de princípio ativo.
- E)I e II, somente.
Esta é a alternativa correta porque contempla as duas vantagens efetivas das formas farmacêuticas de liberação modificada: menor flutuação dos níveis plasmáticos e menor frequência de administração. O fundamento técnico é o controle da velocidade de liberação, que suaviza picos e vales de concentração e prolonga o tempo de ação do medicamento. A afirmativa III é excluída porque a redução de custo inicial e o uso da menor quantidade de fármaco não são vantagens gerais dessas formulações.
Gabarito: E
As formas farmacêuticas de liberação modificada foram criadas para fazer o medicamento “trabalhar com calma”, liberando o fármaco de modo mais controlado do que as formas convencionais. Na prática, isso costuma reduzir os picos e vales de concentração no plasma, o que ajuda a manter níveis mais estáveis ao longo do tempo e pode melhorar a tolerabilidade. Outra vantagem clássica é a diminuição da frequência de administração. Se o fármaco é liberado aos poucos, o paciente geralmente precisa tomar menos doses por dia, o que facilita a adesão ao tratamento. Isso é uma vantagem muito cobrada em prova porque parece detalhe, mas cai bastante em farmacologia. A assertiva III está errada porque essas formulações normalmente não reduzem o custo inicial. Pelo contrário, costumam ter tecnologia mais complexa, desenvolvimento mais caro e preço final maior. Além disso, a ideia de usar a “mínima quantidade” do fármaco não significa, por si só, menor custo da forma farmacêutica. Então, o gabarito é E porque I e II estão corretas, e III está incorreta. Em termos doutrinários, a liberação modificada busca sobretudo controle da cinética de liberação, estabilidade plasmática e melhor conveniência posológica, não economia direta no preço do medicamento.