Os receptores têm se tornado o foco central de investigação de efeitos de fármacos e de seus mecanismos de ação, pois tem consequências práticas e importantes para o desenvolvimento de fármacos, da forma de apresentação final e para tomada de decisões terapêuticas na prática clínica. Baseado nessa informação, analise as afirmativas a seguir. I. O receptor é um componente de uma célula ou organismo que interage com um fármaco e inicia a cadeia de eventos que leva aos efeitos deste fármaco. II. Os receptores determinam largamente as relações quantitativas entre a dose ou a concentração de fármacos e os efeitos farmacológicos. III. Mudanças na estrutura química de um fármaco podem aumentar ou diminuir drasticamente a formação do complexo fármaco-receptor, porém não afetam o efeito terapêutico ou tóxico daquele fármaco. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, somente.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, que estão corretas. A I traz a definição clássica de receptor como o componente que interage com o fármaco e desencadeia a cadeia de eventos responsável pelo efeito biológico, e a II está de acordo com a farmacodinâmica ao relacionar receptores com a relação dose ou concentração-efeito. Como a III é falsa, pois mudanças na estrutura química podem alterar afinidade, eficácia e também os efeitos terapêuticos e tóxicos, somente I e II compõem a resposta certa.
- B)I e III, somente.
A alternativa combina a afirmativa I com a III. A I está correta ao descrever o receptor como a estrutura que reconhece o fármaco e inicia a resposta celular, mas a III erra ao dizer que alterações estruturais não afetam o efeito terapêutico ou tóxico, quando a relação estrutura-atividade mostra justamente que essas mudanças podem modificar potência, seletividade e toxicidade. Por isso, a presença da III invalida essa opção.
- C)II e III, somente.
A alternativa afirma que II e III seriam as corretas. A II procede porque os receptores participam diretamente da relação quantitativa entre concentração do fármaco e efeito farmacológico, mas a III contraria um princípio básico da farmacologia ao negar que mudanças na molécula alterem os efeitos clínicos. Como a I também é verdadeira, essa combinação não se sustenta.
- D)III, somente.
A alternativa sustenta que apenas a III estaria correta. O problema é que a III é incompatível com a farmacologia medicinal, já que pequenas modificações químicas podem mudar a formação do complexo fármaco-receptor e, com isso, alterar potência, eficácia e toxicidade. Além disso, as afirmativas I e II também são verdadeiras, então a exclusão delas torna a opção incorreta.
- E)I, somente.
A alternativa diz que somente a I seria verdadeira. A I realmente corresponde à definição de receptor, mas a II também está correta porque os receptores são centrais para explicar a relação entre dose ou concentração e resposta farmacológica. Como a II não pode ser descartada, essa opção fica incompleta.
Gabarito: A
Em farmacologia, receptor é basicamente o "ponto de encaixe" do fármaco na célula ou no organismo. Quando o medicamento se liga a esse alvo, ele dispara uma cadeia de eventos que vai resultar no efeito farmacológico, seja ele terapêutico ou tóxico. Por isso, a afirmativa I está correta: ela traz a ideia clássica de receptor como componente que interage com o fármaco e inicia a resposta biológica. A afirmativa II também está correta, porque os receptores ajudam a explicar a relação entre dose, concentração e efeito. Em outras palavras, não é só a quantidade de fármaco que importa, mas também quantos receptores existem, sua afinidade e a capacidade de ativá-los. É por isso que duas drogas com doses parecidas podem ter efeitos bem diferentes. Já a III está errada. Se você muda a estrutura química de um fármaco, você pode sim alterar muito a formação do complexo fármaco-receptor e, com isso, mudar o efeito terapêutico e também o tóxico. A estrutura é justamente uma das bases da atividade farmacológica, então ela não é "neutra" no resultado final. Por isso, o gabarito A está correto: somente as afirmativas I e II estão certas. A banca FGV costuma cobrar esse conceito bem clássico de farmacodinâmica, principalmente a relação entre receptor, afinidade, eficácia e resposta clínica.