A estabilidade de medicamentos é a extensão na qual um produto mantém suas características dentro de critérios de aceitação ao longo do tempo. Das alternativas apresentadas a seguir, relativas aos fatores que afetam a estabilidade dos medicamentos, qual NÃO apresenta um fator extrínseco?
- A)A temperatura é uma condição ambiental diretamente responsável por grande número de alterações e deteriorações nos medicamentos. Elevadas temperaturas são contraindicadas para medicamentos porque podem acelerar a indução de reações químicas, ocasionando a decomposição dos produtos e alterando a sua eficácia.
Está certa como fator extrínseco, porque a temperatura do ambiente interfere diretamente na velocidade de degradação dos medicamentos.
- B)Dependendo da forma farmacêutica do medicamento, a alta umidade pode afetar a sua estabilidade, favorecendo o crescimento de fungos e bactérias.
Está certa como fator extrínseco, pois a umidade ambiental pode comprometer a estabilidade e até favorecer contaminação microbiana.
- C)A incidência direta de raios solares sobre os medicamentos acelera a velocidade das reações químicas, alterando a estabilidade desses medicamentos. Essa ação leva à ocorrência de reações químicas (principalmente, óxido-redução).
Está certa como fator extrínseco, já que a luz solar pode desencadear reações fotoquímicas e alterar o fármaco.
- D)A incompatibilidade física inerente à formulação é observada por meio de alterações como separações de fase, alterações de cor, formação de precipitados e cristalização.
Está errada para a pergunta porque descreve um problema da própria formulação, ou seja, um fator intrínseco e não extrínseco.
Gabarito: D
A estabilidade de medicamentos é a capacidade de o produto manter suas características, como aparência, potência, pureza e eficácia, dentro dos limites aceitos durante o tempo de validade. Em prova, costuma cair a divisão entre fatores intrínsecos e extrínsecos: os extrínsecos vêm do ambiente, como temperatura, umidade, luz e oxigênio; os intrínsecos dependem da própria formulação, como pH, veículo, excipientes e incompatibilidades entre componentes. Na prática, pense assim: o remédio pode ser "atacado" pelo meio em que fica guardado ou pode já nascer com uma formulação mais sensível. Temperatura alta acelera reações químicas, umidade favorece degradação e crescimento microbiano, e a luz pode provocar reações fotoquímicas, especialmente de oxirredução. Tudo isso são fatores extrínsecos clássicos, bem cobrados em Farmácia Hospitalar e Comunitária. O gabarito é a letra D porque a incompatibilidade física inerente à formulação não é um fator extrínseco, e sim intrínseco. Ou seja, o problema está na própria composição do medicamento, gerando separação de fases, precipitação, mudança de cor ou cristalização. É o tipo de detalhe que a banca gosta: parece um efeito de estabilidade, mas a origem está dentro da formulação, não no ambiente. Em termos doutrinários, a Farmacotécnica e a Tecnologia Farmacêutica costumam classificar esses fatores justamente nessa lógica: condições externas versus características da própria preparação. Essa separação ajuda muito na hora de identificar a alternativa "fora da caixa".