Durante o acompanhamento farmacoterapêutico de um paciente idoso com hipertensão e diabetes mellitus tipo 2, o farmacêutico identificou hipoglicemia recorrente associada ao uso de glibenclamida. Qual intervenção farmacêutica seria mais apropriada?
- A)Substituir a glibenclamida por um inibidor de DPP-4, que apresenta menor risco de hipoglicemia.
Correta, porque os inibidores de DPP-4 têm menor risco de hipoglicemia e são mais seguros para idosos.
- B)Ajustar a dose de glibenclamida para administração exclusiva à noite, prevenindo picos de glicemia.
Errada, porque mudar o horário da glibenclamida não elimina o risco de hipoglicemia e ainda pode piorar o controle.
- C)Associar a glibenclamida com insulina basal para estabilizar os níveis glicêmicos.
Errada, porque associar sulfonilureia com insulina aumenta ainda mais o risco de hipoglicemia.
- D)Recomendar suplementação dietética com carboidratos complexos para minimizar os episódios de hipoglicemia.
Errada, porque orientação dietética pode ajudar, mas não corrige o problema principal do medicamento causador da hipoglicemia.
- E)Interromper o uso de qualquer antidiabético oral até a estabilização do quadro clínico.
Errada, porque suspender todos os antidiabéticos orais sem plano terapêutico pode descompensar o diabetes.
Gabarito: A
Na assistência farmacêutica, o farmacêutico não olha só a receita: ele também caça reações adversas, interações e problemas relacionados ao uso dos medicamentos. Em um idoso com diabetes tipo 2, hipoglicemia recorrente já acende a luz amarela, porque essa população costuma ter mais sensibilidade a efeitos indesejados e maior risco de quedas, confusão mental e internações. A glibenclamida é uma sulfonilureia conhecida por causar hipoglicemia com mais frequência, especialmente em idosos. Isso acontece porque ela estimula a liberação de insulina de forma relativamente prolongada, o que pode “derrubar” a glicose mesmo fora do horário das refeições. Em pacientes mais velhos, ela costuma ser uma escolha pouco amigável. Por isso, a intervenção mais apropriada é substituir a glibenclamida por um fármaco com menor risco de hipoglicemia, como um inibidor de DPP-4. Essa classe tem ação mais fisiológica, depende mais da glicose e tende a ser mais segura nesse perfil de paciente. Na prática do acompanhamento farmacoterapêutico, isso significa sugerir ao prescritor uma revisão do esquema para reduzir dano e manter controle glicêmico. Então, o gabarito A está correto porque resolve a causa do problema sem manter o paciente exposto ao mesmo risco. Já as demais alternativas tentam “remendar” uma terapia que está mal ajustada, quando o melhor é trocar por uma opção mais segura e adequada ao idoso.