Em um laboratório de análises clínicas, foram detectados resultados discordantes para urobilinogênio e bilirrubina na urinálise de um paciente ictérico. O(a) farmacêutico-bioquímico suspeita de erro pré-analítico. Qual providência imediata pode minimizar tais discrepâncias?
- A)Manter a amostra de urina exposta à luz solar por várias horas antes do ensaio, garantindo estabilidade das bilirrubinas.
Errada, porque a exposição à luz solar piora a estabilidade da bilirrubina e favorece erro nos resultados.
- B)Verificar se houve conservação adequada da amostra (refrigeração ou proteção da luz) e confirmar o tempo de coleta correto.
Certa, porque a checagem de conservação, refrigeração, proteção da luz e tempo de coleta é a medida imediata para reduzir discrepâncias pré-analíticas.
- C)Eliminar qualquer reagente padronizado e optar por tiras reativas artesanais para reduzir variações.
Errada, porque tirar o padrão do método e usar tiras artesanais aumentaria a variabilidade e comprometeria a qualidade analítica.
- D)Solicitar exclusivamente a dosagem de creatina plasmática, pois substitui os indicadores de função hepática.
Errada, porque creatina plasmática não substitui a avaliação urinária de bilirrubina e urobilinogênio, que têm outra finalidade clínica.
Gabarito: B
Na urinálise, alguns analitos são bem sensíveis ao jeito como a amostra foi guardada. Isso acontece especialmente com bilirrubina e urobilinogênio, que podem se alterar facilmente se a urina ficar muito tempo sem refrigeração ou exposta à luz. Em outras palavras: a amostra pode “estragar” o resultado antes mesmo do teste começar. A bilirrubina urinária, por exemplo, é fotossensível, então a luz pode degradá-la e levar a falso-negativo. Já o urobilinogênio também sofre degradação com o tempo e com armazenamento inadequado, o que pode gerar valores discordantes entre um e outro parâmetro. Por isso, quando o laboratório percebe esse tipo de discrepância, a primeira suspeita deve ser pré-analítica. O gabarito é a letra B porque a providência imediata é conferir se a amostra foi bem conservada, com refrigeração e proteção contra a luz, além de checar se o tempo entre coleta e análise foi adequado. Isso ajuda a separar erro de coleta/armazenamento de alteração real do paciente. Em prova, pense assim: antes de culpar o método ou o paciente, vale checar se a amostra sobreviveu ao caminho até a bancada. Na prática laboratorial, fase pré-analítica é campeã de confusão, e aqui ela aparece com força total.