O hemograma é um exame de rotina laboratorial muito solicitado pelos médicos e tem o objetivo de avaliar várias condições fisiológicas do paciente. A sua utilização é comum para avaliar quadros infecciosos, bacterianos, virais ou parasitários. Também é possível avaliar a ocorrência ou suspeita de anemias, carenciais ou genéticas, além de ser útil em exames pré-operatórios e acompanhamento do prognóstico do paciente em determinadas condições clínicas. Fonte: ALVARENGA, Felipe Queiroz. Orientação interpretativa do hemograma. 2023. Em relação ao hemograma, seguem algumas alterações comumente encontradas nele. Observe-as. I - Acentuada hipocromia, microcitose e diminuição dos níveis de hemoglobina plasmáticos. II - Leucocitose com predomínio de neutrófilos segmentados, granulações tóxicas e desvio à esquerda. III - Microcitose, discreta hipocromia, hematócrito diminuído e presença de drepanócitos. As alterações descritas em I, II e III sugerem, respectivamente, a existência das seguintes patologias:
- A)Anemia carencial; infecção bacteriana; anemia falciforme.
Correta, porque associa microcitose e hipocromia à anemia carencial, neutrofilia com desvio à esquerda à infecção bacteriana e drepanócitos à anemia falciforme.
- B)Anemia ferropriva; infecção viral; anemia megaloblástica.
Errada, porque a infecção viral não costuma cursar com predomínio de neutrófilos segmentados, granulações tóxicas e desvio à esquerda, e a anemia megaloblástica costuma ser macrocítica.
- C)Anemia carencial; infecção parasitária; anemia perniciosa.
Errada, porque a descrição de II é mais típica de infecção bacteriana do que parasitária, e III aponta para drepanócitos, não para anemia perniciosa.
- D)Anemia megaloblástica; infecção parasitária; talassemia.
Errada, porque anemia megaloblástica não causa microcitose, e os achados de III não sugerem talassemia nessa formulação.
- E)Anemia aplásica; infecção bacteriana; anemia carencial.
Errada, porque anemia aplásica não se caracteriza por microcitose/hipocromia, e a infecção bacteriana está correta apenas em II.
Gabarito: A
O hemograma é um exame bem “falante”: ele não fecha diagnóstico sozinho, mas dá pistas valiosas sobre o que está acontecendo no organismo. Quando você vê microcitose e hipocromia, pense em hemácias pequenas e com menos hemoglobina, quadro muito típico das anemias carenciais, especialmente a ferropriva. Aqui o enunciado fala em acentuada hipocromia, microcitose e redução da hemoglobina, o que aponta justamente para esse tipo de anemia. Na parte dos leucócitos, leucocitose com predomínio de neutrófilos segmentados, granulações tóxicas e desvio à esquerda é quase um cartão de visita da infecção bacteriana. O corpo responde produzindo e liberando neutrófilos mais jovens, e essas alterações morfológicas reforçam a resposta inflamatória aguda. Em prova, essa combinação costuma aparecer como sinônimo de processo bacteriano, não viral. Já a presença de microcitose, discreta hipocromia, hematócrito diminuído e drepanócitos lembra anemia falciforme, porque os drepanócitos são as hemácias em forma de foice, achado clássico dessa doença. Então, juntando os três itens, o raciocínio fica: I = anemia carencial, II = infecção bacteriana, III = anemia falciforme. Por isso, o gabarito A está correto. A banca COTEC foi direta no padrão morfológico do hemograma, sem exigir “adivinhação”: bastava reconhecer os achados clássicos de cada condição.