A Organização Mundial da Saúde (OMS) define reações adversas como “qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não intencional, a um medicamento, a qual se manifesta após a administração de doses normalmente utilizadas no homem para profilaxia, diagnóstico ou tratamento de doenças ou para modificação de função fisiológica”. Trata-se de uma reação adversa a medicamento tipo “tipo A” a reação:
- A)Alérgica grave e imediata.
Errada, porque reação alérgica grave e imediata é típica de reação imprevisível, geralmente classificada como tipo B.
- B)Previsível e dose-dependente.
Certa, pois a reação adversa tipo A é previsível, relacionada ao efeito farmacológico do medicamento e, em geral, dose-dependente.
- C)Previsível, não dependente da dose.
Errada, porque a previsibilidade combina com o tipo A, mas a falta de relação com a dose aponta para outro tipo de reação.
- D)Imprevisível, não relacionada à dose do medicamento.
Errada, porque reação imprevisível e não relacionada à dose corresponde ao tipo B, não ao tipo A.
Gabarito: B
As reações adversas a medicamentos costumam ser classificadas em tipos, e essa divisão aparece muito em Farmacologia de concurso. A mais clássica é a de Rawlins e Thompson: tipo A e tipo B. O tipo A é o mais comum, e vem de uma lógica simples: se o remédio faz o efeito farmacológico esperado, mas em intensidade exagerada, ou em situação desfavorável, pode surgir o problema. Por isso ele é, em regra, previsível e relacionado à dose. Pense nele como o “efeito colateral que avisa antes”, porque dá para antecipar pela farmacologia do fármaco. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. Reação adversa tipo A é previsível e dose-dependente. Ela costuma ser a extensão do efeito terapêutico do medicamento, então tende a aparecer quando a dose é alta, quando há sensibilidade aumentada do paciente ou quando existe interação medicamentosa. Exemplo clássico: sangramento por anticoagulante, hipoglicemia por insulina ou antidiabéticos, bradicardia por betabloqueador. Já o tipo B é o “misterioso” da história: imprevisível, menos frequente e geralmente não relacionado diretamente à dose. Ele inclui reações alérgicas e idiossincrásicas, aquelas que podem pegar a pessoa de surpresa mesmo com dose usual. Então, se a questão fala em tipo A, a pista principal é previsibilidade com relação à dose, não surpresa nem alergia. Em provas, a banca gosta de trocar os conceitos de previsível, imprevisível, dose-dependente e reação alérgica. Se você organizar assim na cabeça, fica mais fácil: tipo A = amplificado e previsível; tipo B = estranho e imprevisível. A definição da OMS sobre reação adversa é o pano de fundo, mas a classificação cobrada aqui vem da doutrina farmacológica tradicional.