Os Anti-inflamatórios Não-Esteróides (AINES) representam uma das classes de medicamentos mais consumida em todo o mundo, sendo utilizados no tratamento da dor aguda e crônica decorrente de processo inflamatório. Sobre os anti-inflamatórios, assinale a afirmativa correta.
- A)Os AINEs alteram a percepção de outras modalidades sensoriais que não a dor, possuindo eficácia na dor neuropática.
Errada, porque os AINEs não são eficazes para dor neuropática e atuam principalmente na dor inflamatória, não em outras modalidades sensoriais.
- B)O Ácido Acetilsalicílico (AAS) é um ácido orgânico fraco; é o único entre os AINEs capaz de acetilar irreversivelmente e dessa forma, inativar a ciclo-oxigenase.
Certa, porque o AAS é um ácido orgânico fraco e o único AINE que acetila irreversivelmente a ciclooxigenase, inativando-a.
- C)A dipirona consiste em um derivado do ácido fenilpropiônico – o sulfato de sódio da amidopirina funciona como inibidor seletivo das prostaglandinas F2α.
Errada, porque a dipirona não é derivado do ácido fenilpropiônico nem inibidor seletivo de prostaglandinas F2α.
- D)Possuem ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética por inibição da síntese de prostaglandinas, mediante o bloqueio da ciclooxigenase1 (COX-1), que é induzida e ciclooxigenase2 (COX-2), que é constitutiva, criando subgrupos de AINES seletivos e não-seletivos para COX-2.
Errada, porque inverte a caracterização das COX: a COX-1 é constitutiva e a COX-2 é induzida, não o contrário.
Gabarito: B
Os AINEs são usados principalmente porque reduzem inflamação, dor e febre ao inibir a enzima ciclooxigenase (COX), que participa da produção de prostaglandinas. Em termos simples: menos prostaglandina, menos inflamação, menos dor e menos febre. Eles funcionam muito bem na dor inflamatória, mas não são a melhor escolha para dor neuropática, que costuma exigir outras classes de medicamentos. A grande sacada da questão está no ácido acetilsalicílico (AAS). Ele é um ácido orgânico fraco e, ao contrário da maioria dos outros AINEs, acetila de forma irreversível a COX, inativando essa enzima. Isso explica, por exemplo, seu efeito prolongado sobre as plaquetas. É um detalhe clássico de prova e a banca adora cobrar essa diferença entre o AAS e os demais anti-inflamatórios. Também vale lembrar que a COX-1 é considerada mais constitutiva, ligada a funções fisiológicas de proteção, enquanto a COX-2 é mais associada ao processo inflamatório e pode ser induzida. A questão inverte isso, o que derruba a alternativa. Já a dipirona não é derivado do ácido fenilpropiônico e não age como inibidor seletivo de prostaglandinas F2α, então também não ajuda em nada aqui. Resumo de prova: AINEs agem por inibição de prostaglandinas, o AAS tem ação irreversível sobre a COX e isso o torna especial dentro da classe. Quando a banca mistura nomes, subclasses e vias de ação, o truque é voltar ao mecanismo central e conferir se ela não trocou COX-1 com COX-2 no meio do caminho.