Sobre os testes sorológicos para detecção de sífilis, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O teste sorológico imunoenzimático (ELISA) pode ser empregado em técnicas para identificação e quantificação de anticorpos específicos e não específicos para sífilis.
Correta, pois o ELISA pode ser usado em testes treponêmicos para detectar anticorpos contra a sífilis, inclusive em formatos de triagem e, em alguns kits, com leitura semiquantitativa ou quantitativa.
- B)O teste de imunofluorescência indireta (FTA-abs) é o método sorológico considerado confirmatório para o diagnóstico de sífilis, dada a sua alta sensibilidade e especificidade.
Correta, porque o FTA-abs é um teste treponêmico clássico, de alta sensibilidade, usado como método confirmatório na sífilis.
- C)A floculação observada no teste não treponêmico se deve à ligação de anticorpos da amostra às cardiolipinas das micelas presentes na suspensão antigênica, permitindo a visualização do floculado em microscópio óptico.
Correta, pois nos testes não treponêmicos a floculação ocorre pela reação de anticorpos da amostra com cardiolipina do antígeno, formando o floculado observável ao microscópio em alguns métodos.
- D)Os testes ditos “não treponêmicos” detectam anticorpos não específicos para sífilis e são métodos exclusivamente qualitativos. Os testes “treponêmicos” detectam anticorpos específicos para antígenos produzidos pelo Treponema pallidum e são exclusivamente quantitativos.
Errada, porque os testes não treponêmicos não são exclusivamente qualitativos e os treponêmicos também não são exclusivamente quantitativos; além disso, a classificação dos anticorpos e dos métodos foi apresentada de forma imprecisa.
Gabarito: D
Na sífilis, os testes sorológicos costumam ser divididos em dois blocos: os não treponêmicos e os treponêmicos. Os não treponêmicos, como VDRL e RPR, pesquisam anticorpos reagínicos, que não são exclusivos contra o Treponema pallidum, mas contra antígenos como a cardiolipina liberada no contexto da infecção. Eles são muito úteis para triagem e para acompanhar resposta ao tratamento, porque o título tende a cair quando o paciente melhora. Já os testes treponêmicos, como FTA-abs, TPHA/TPPA e vários ensaios imunoenzimáticos, detectam anticorpos mais específicos contra o Treponema pallidum. Em geral, eles ajudam a confirmar a infecção, mas não servem tão bem para monitorar cura, porque podem permanecer reagentes por muito tempo, até pela vida toda. Ou seja: eles são ótimos para dizer "houve contato", mas não para contar a história da resposta terapêutica com a mesma precisão dos não treponêmicos. A alternativa D erra em dois pontos importantes. Primeiro, os testes não treponêmicos não são exclusivamente qualitativos, porque podem ser titulados e gerar resultado quantitativo ou semiquantitativo, como 1:8, 1:32 etc. Segundo, os testes treponêmicos também não são exclusivamente quantitativos; muitos deles são qualitativos ou, quando muito, semiquantitativos em alguns métodos. Então a frase exagera e troca o perfil dos exames. Em resumo: para sífilis, pense assim: não treponêmico para triagem e seguimento, treponêmico para confirmação. A banca costuma cobrar exatamente essa diferença, com aquela malícia clássica de misturar "qualitativo", "quantitativo" e "específico" na mesma frase.