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Farmácia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Farmácia

Os medicamentos genéricos são entendidos pelos órgãos de registro como substitutos perfeitos aos medicamentos de referência, pois possuem a mesma substância farmacologicamente ativa, nas mesmas concentrações e formulação quase idênticas a estes. Entretanto, devido a essas pequenas modificações em suas formulações, os medicamentos genéricos não são idênticos aos de referência. Sobre os medicamentos genéricos, assinale a afirmativa INCORRETA.

Gabarito: D

Medicamento genérico não é "cópia perfeita" no sentido químico absoluto, mas precisa demonstrar que entrega o mesmo efeito terapêutico esperado do medicamento de referência. No Brasil, a lógica regulatória é amarrada pela Lei 9.787/1999 e pelas normas da ANVISA, que exigem qualidade, segurança e eficácia, com comprovação de equivalência farmacêutica e bioequivalência quando cabível. O ponto central é este: mesmo tendo o mesmo princípio ativo, concentração e forma farmacêutica, pequenas diferenças de excipientes, processo de fabricação, polimorfismo e tamanho de partícula podem influenciar dissolução, absorção e estabilidade. Por isso, a bioequivalência existe para mostrar que essas variações não mudam o desempenho clínico de forma relevante. A alternativa D está errada porque fala como se uma única dose fosse suficiente para garantir que, em uso repetido ou prolongado, distribuição, metabolismo e absorção serão idênticos. Não é bem assim: o teste de bioequivalência avalia a similaridade entre os produtos em condições controladas, mas não autoriza afirmar que tudo será idêntico em todas as situações de uso. A ideia regulatória é demonstrar equivalência dentro de margens aceitáveis, não identidade absoluta. Em resumo: genérico bom é genérico que prova que funciona como o de referência dentro dos critérios técnicos exigidos. O resto é marketing de balcão, não farmacologia.

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